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Mato Grosso do Sul Brilha na National Geographic com Trabalho Pioneiro de Preservação

Dos acostamentos de Mato Grosso do Sul, o trabalho de preservação alcança as páginas de uma das revistas mais renomadas do mundo. Esforços para evitar a morte de tamanduás-bandeira atropelados nas rodovias brasileiras são o tema central de uma reportagem de 16 páginas na edição de setembro da National Geographic.

Destaques:

  • Trabalho de Mato Grosso do Sul sobre prevenção de atropelamentos de tamanduás-bandeira é o principal tema da National Geographic.
  • É a primeira vez em 138 anos que a revista foca na espécie, e a primeira história de natureza brasileira por um fotógrafo nacional desde 2013.
  • Pesquisas detalhadas e obras de passagens de fauna na BR-262 demonstram soluções concretas para o problema.

Reconhecimento Internacional para o MS

A publicação marca um momento histórico para a espécie. O fotógrafo brasileiro Fernando Faciole, responsável pelas imagens, informa que é a primeira vez em 138 anos que os tamanduás-bandeira são o foco principal de uma reportagem na revista. Também é a primeira história sobre natureza produzida por um brasileiro a ser publicada na revista desde 2013.

A reportagem aborda os desafios enfrentados pela espécie no Brasil, mas Mato Grosso do Sul ocupa grande parte da narrativa. As páginas revelam animais monitorados no Estado, pesquisadores atuando nas rodovias, um mapa das áreas de maior risco de atropelamento e até as obras de passagens de fauna na BR-262.

O material foi escrito pelo jornalista ambiental Ben Goldfarb e fotografado por Faciole. O fotógrafo divulgou nas redes sociais algumas das páginas da edição impressa, que chega ao público em setembro. O ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), à frente do Projeto Bandeiras e Rodovias, também celebrou a conquista. Faciole expressou que a reportagem representa uma realização profissional e garante aos animais a atenção necessária.

A Pesquisa no Coração do MS

As páginas da revista evidenciam a magnitude do trabalho desenvolvido em Mato Grosso do Sul. A reportagem acompanha o biólogo Arnaud Desbiez, fundador do projeto de conservação, e pesquisadores que transformaram mortes em estradas em dados cruciais para prevenir futuros atropelamentos.

O levantamento teve início em 2017. Durante três anos, uma equipe dedicou-se a percorrer cerca de 85 mil quilômetros em quatro rodovias brasileiras, registrando cada animal encontrado morto. Os dados são alarmantes: mais de 12 mil animais foram atropelados, incluindo 1,2 mil canídeos, macacos e quatis, 968 capivaras e 766 tamanduás-bandeira.

O número real de atropelamentos pode ser ainda maior. Pesquisadores estimam que os animais encontrados representam apenas cerca de um quarto do total, já que carcaças podem ser removidas rapidamente ou não serem visíveis nas pistas.

O projeto expandiu-se além da contagem de animais mortos. Pesquisadores também capturaram tamanduás vivos, implantaram equipamentos de rastreamento e monitoraram seus deslocamentos pelo Cerrado. O objetivo era mapear os pontos de travessia e identificar as áreas de maior perigo. Um mapa de Mato Grosso do Sul, presente na revista, ilustra os locais com maior probabilidade de colisão com tamanduás, orientando o planejamento de cercas e outras estruturas de segurança.

A pesquisa estabeleceu uma conexão entre conservação ambiental e segurança no trânsito: atropelar um animal de grande porte pode ser fatal para humanos. A expressão ‘animal morto na estrada’ foi substituída pela ideia de ‘colisão’, visando destacar que o problema afeta tanto a fauna quanto motoristas e passageiros. Em São Paulo, cerca de 20 motoristas perdem a vida anualmente em colisões com tamanduás, antas e outros animais.

Com essa abordagem, Desbiez e sua equipe ampliaram o diálogo com os responsáveis pelas estradas. Cercas, túneis e passagens de fauna passaram a ser vistos não apenas como investimentos ambientais, mas também como estruturas de segurança viária.

Soluções Concretas na BR-262

Mato Grosso do Sul se destaca como um exemplo dessa transformação. Uma fotografia na reportagem mostra trabalhadores instalando uma estrutura metálica sob a BR-262, permitindo que animais cruzem a rodovia em segurança, longe da pista.

O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e empresas contratadas iniciaram, em 2025, adaptações em trechos da BR-262. O projeto contempla mais de 160 quilômetros de cercas em pontos de alto risco, dez novas passagens inferiores para animais e adaptações em dezenas de pontes e bueiros já existentes para facilitar a circulação da fauna.

Sete pontes de corda sobre a estrada também estão previstas para reconectar áreas de floresta, permitindo a travessia de bugios e outros primatas. A BR-262, reconhecida pela grande quantidade de animais mortos, é chamada de uma das principais rodovias que cortam o Cerrado e o Pantanal.

A expectativa é que o modelo implementado no Estado sirva de inspiração para intervenções similares em outras regiões brasileiras e países da América Latina.

Uma imagem aérea da BR-267 na reportagem ilustra por que Mato Grosso do Sul se tornou um laboratório para este trabalho, mostrando a estrada cortando a paisagem onde a savana se encontra com áreas agrícolas. A expansão agropecuária e das rodovias fragmenta o habitat dos tamanduás, que precisam atravessar estradas frequentemente em busca de alimento.

A Importância do Tamanduá e o Futuro

As características da espécie aumentam o risco: tamanduás são lentos, têm pelagem escura e hábitos noturnos, uma combinação perigosa no tráfego. O texto ressalta a importância ecológica do tamanduá-bandeira, que pode consumir cerca de 30 mil insetos por dia, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas.

O trabalho de campo e o atendimento veterinário também ganham destaque. Uma fotografia mostra a veterinária Grazielle Soresini examinando a carcaça de um tamanduá-bandeira atropelado na BR-267. Após cada ocorrência, pesquisadores inspecionam os animais e coletam amostras antes de removê-los da estrada. Outra imagem registra veterinários realizando um ecocardiograma em um tamanduá anestesiado em Mato Grosso do Sul, parte do estudo para protegê-los de ameaças como colisões, incêndios e ataques de cães.

A reportagem humaniza os números, acompanhando histórias individuais de animais afetados. A imagem final da matéria mostra Desbiez e sua equipe ao lado de um tamanduá anestesiado em Mato Grosso do Sul. Os pesquisadores esperam que as passagens de fauna instaladas no Estado sirvam de modelo para outras comunidades, salvando espécies vulneráveis.

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