A busca por soluções habitacionais dignas para as comunidades indígenas em Campo Grande ganhou um novo impulso com os debates promovidos pela Câmara Municipal. Recentemente, o encontro com moradores da comunidade Água Funda, localizada no Jardim Noroeste, marcou mais uma etapa dessa iniciativa voltada a entender e atender às necessidades específicas dos povos originários na área urbana.
Um Diálogo Essencial para a Dignidade
A série de discussões sobre moradia é liderada pela vereadora Luiza Ribeiro, através da Comissão Permanente das Causas Indígenas. O objetivo central é coletar informações precisas sobre as condições de vida e habitação nas comunidades indígenas da capital sul-mato-grossense, buscando alternativas que respeitem a cultura e as tradições locais.
Na Comunidade Água Funda, a expectativa é palpável quanto ao início das obras de 91 novas moradias. Estes projetos, viabilizados por programas federais em parceria com a prefeitura, representam a esperança de dignidade para famílias que há nove anos residem em condições precárias, em barracos improvisados.
“A moradia vai muito além da estrutura física; ela é a base para a conquista de dignidade, privacidade, conforto familiar e segurança”, enfatizou a vereadora Luiza Ribeiro. Ela destacou a importância de a Câmara Municipal realizar essas reuniões de forma itinerante, facilitando o acesso da população, que nem sempre consegue se deslocar até a Casa de Leis.
A vereadora ressaltou que o diálogo direto com lideranças e moradores é fundamental para a formulação de encaminhamentos efetivos. Ela mencionou que muitos indígenas migram das aldeias para a cidade em busca de oportunidades de trabalho e estudo, mas enfrentam barreiras significativas com o alto custo dos aluguéis na área urbana.
Perspectivas de Construção e Recursos
Em relação à Comunidade Água Funda, a prefeitura confirmou um compromisso em solucionar a questão habitacional, em desdobramento de um processo judicial. A necessidade das obras é urgente, considerando que sua execução já deveria ter se iniciado no ano anterior.
Douglas Torres, diretor de Habitação e Regularização Fundiária da prefeitura, informou que uma empresa já foi contratada, após dois processos licitatórios, para a edificação das 91 unidades habitacionais. Os recursos financeiros foram assegurados por meio de uma parceria com o Ministério das Cidades, integrando o programa Minha Casa, Minha Vida, modalidade Fundo de Arrendamento Residencial (FAR).
A previsão é que a conclusão das obras ocorra em um prazo de até 18 meses, a contar da contratação junto à Caixa Econômica Federal. O futuro conjunto habitacional contemplará pavimentação e lotes individualizados para cada unidade.
“Temos uma preocupação especial com as comunidades indígenas. Nosso foco é oferecer moradia e reassentamento, visando a maior dignidade para estas famílias”, declarou Torres.
Vozes da Comunidade
O cacique da Aldeia Água Funda, Ivaneis Gonçalves Moreira, expressou a ânsia das famílias em deixar o local atual, que se encontra em área particular. “Nossa reivindicação primordial é por moradia digna. Esta audiência é um passo importante para atender a essa demanda”, disse, ressaltando a espera pela construção das casas.
Maria Neide Cardoso, presidente do Conselho Tribal, complementou que o acesso à moradia digna permitirá o crescimento e a geração de mais recursos para a comunidade. “Seria uma solução para nos ajudar”, afirmou.
As condições atuais de habitação na comunidade são de grande dificuldade, com barracos que não oferecem proteção adequada, especialmente durante os períodos chuvosos. Luciana da Silva, vice-cacica da Água Funda, relatou que muitos moradores não têm condições de realizar reparos nas estruturas precárias.
“Com a chuva constante, os barracos cedem. Uma moradia digna também garante acesso melhor à educação, saneamento básico e saúde”, pontuou. Ela descreveu situações em que a comunidade fica ilhada em dias de chuva, com dificuldade de acesso a serviços essenciais como transporte.
O ancião da aldeia, Arlindo Sabino, reforçou a necessidade urgente de moradia, detalhando os desafios enfrentados, especialmente por idosos e crianças, para se deslocar até os pontos de ônibus e para as escolas.
Além da Comunidade Água Funda, a série de debates sobre moradia tem abarcado outras comunidades indígenas e grupos tradicionais em Campo Grande, como a Aldeia Água Bonita, a Comunidade Kadiwéu, a Aldeia Inamaty Kaxé e a comunidade da Vila Bordon.
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