Um simulado completo de abandono de área foi realizado na Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, em Campo Grande, marcando uma iniciativa pioneira na rede estadual de ensino em Mato Grosso do Sul. O exercício envolveu 320 estudantes, merendeiras e professores em uma demonstração prática de prevenção e resposta a situações de emergência, com o apoio do Corpo de Bombeiros Militar do estado.
Destaques:
- Simulado inédito de evacuação e segurança foi realizado em escola estadual de Campo Grande.
- Estudantes com deficiência, merendeiras e professores participaram ativamente do treinamento.
- Ação visa capacitar a comunidade escolar e testar protocolos de segurança em situações reais.
A atividade buscou capacitar a comunidade escolar, incluindo estudantes com deficiência da sala especial, a agirem de forma segura e organizada em caso de emergência. O alarme soou, quebrando a rotina e mobilizando os alunos que, em fila indiana e em silêncio, dirigiram-se à quadra de esportes, local determinado para o ponto de encontro. A Brigada de Incêndio da escola e o Corpo de Bombeiros cronometraram o tempo de resposta e avaliaram a eficiência da evacuação.
A escolha da Escola Lúcia Martins Coelho, uma das maiores da capital, deveu-se à sua estrutura complexa, com dois pavimentos, salas para alunos com necessidades específicas, laboratórios e cozinha, considerados ambientes de risco. O coronel Marcelo Fraiha, coordenador de Gerenciamento de Crises, Riscos e Acidentes da Secretaria de Estado de Educação (SED), destacou a importância de avaliar a responsividade da brigada e o comportamento dos estudantes.
Para muitos alunos, foi a primeira vez que ouviram um alarme de incêndio. A estudante Ester Rassad, do 2º ano, resumiu o aprendizado com clareza: “Aprendemos que não tem que sair igual correndo sem direção, senão, a gente pode atropelar nosso colega, tropeçar, cair e se machucar”. A presidente do Grêmio Estudantil, Rafaela Rezende, expressou satisfação com a seriedade com que os alunos encararam o simulado e a ajuda mútua demonstrada.
A inclusão foi um ponto central, com a participação ativa dos alunos da sala especial, acompanhados pela professora Roselene Gonçalves Santos. “Pra gente, isso é muito importante. Mesmo com as dificuldades que eles têm, eles conseguem entender o que está acontecendo. E eu acho muito importante que eles participem também, porque essa é a verdadeira inclusão”, afirmou a professora. O diretor Márcio Beretta Cossato reforçou o compromisso da escola em não excluir nenhum aluno, independentemente de suas necessidades.
O treinamento também foi relevante para a agente de merenda Ana Cristina Moreira, que trabalha na cozinha, uma área de risco. “A cozinha já é uma área de risco. Para a gente é muito importante ter toda essa dimensão. É uma coisa importante para poder levar para a vida, mesmo ao nosso redor, no dia a dia”, relatou. A supervisora pedagógica Gláucia Ferreira Nascimento, também brigadista da escola, destacou que os alunos agora sabem direcionar suas ações após o acionamento do alarme.
O secretário de Estado de Educação, Hélio Daher, ressaltou que o treinamento é raro em escolas públicas brasileiras e inédito no estado, visando tornar a rede estadual um ambiente mais seguro. Todas as escolas estaduais já contam com equipamentos de segurança e brigadas de incêndio formadas, e o simulado marca o início da prática desses conhecimentos antes que uma situação real exija.


