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Mato Grosso do Sul Elabora Plano Estadual de Saúde para Enfrentar Impactos do El Niño

Plano de Adaptação do Setor de Saúde em MS

Mato Grosso do Sul está na vanguarda da elaboração de um Plano Estadual de Adaptação do Setor de Saúde. Esta iniciativa integra a estratégia nacional AdaptaSUS, focada no enfrentamento dos impactos das alterações climáticas no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde anunciou recentemente um pacote de medidas com o objetivo de fortalecer a capacidade de resposta da rede pública a eventos climáticos extremos, como o El Niño.

Impactos do El Niño em Mato Grosso do Sul

O meteorologista Melquezedek Duarte destaca que os efeitos primordiais do El Niño no estado estão associados ao aumento das temperaturas e à ocorrência de secas. Embora o fenômeno já se manifeste, seus impactos mais acentuados são esperados para o final do inverno, aproximadamente em dois meses. A relação do El Niño com a diminuição das chuvas em Mato Grosso do Sul é indireta, sendo mais diretamente ligada à elevação térmica, que favorece a redução da precipitação e o agravamento de queimadas. Tais condições representam riscos significativos à saúde, especialmente para trabalhadores expostos ao ambiente externo.

As ondas de calor extremo figuram entre as consequências previstas para a região. O país já vivenciou um episódio de El Niño de grande intensidade, e as projeções atuais indicam um cenário semelhante, com potencial para períodos mais secos e elevação das temperaturas, um fator de considerável preocupação.

Ações Nacionais e Projetos Regionais

O Ministério da Saúde delineou um plano abrangente, com investimento projetado de R$ 9,8 bilhões até 2035, contendo 27 metas e 93 ações para aprimorar a resiliência do SUS a eventos como ondas de calor, secas, incêndios e inundações. Uma das medidas centrais é a criação de oito bases regionais da Força Nacional do SUS, visando o envio célere de equipes especializadas a áreas afetadas.

Mato Grosso do Sul teve sete projetos selecionados no PET-Saúde Clima (Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde), parte do AdaptaSUS. O projeto “Saber Local, Resiliência Coletiva: PET-Saúde Clima na Fronteira das Vulnerabilidades Urbanas de Campo Grande”, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande e pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), obteve a melhor colocação nacional.

Outras iniciativas contempladas incluem “Abordagem Territorial das Leishmanioses no Município de Campo Grande”, uma colaboração entre a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande e a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), e “Pantanal Vivo e Saudável: Equidade, Vigilância e Inovação no Enfrentamento às Emergências Climáticas e Ambientais”, um projeto conjunto das secretarias municipais de Saúde de Coxim e Corumbá, em parceria com a UFMS. Adicionalmente, o projeto “Mudanças Climáticas e Saúde de Populações Vulneráveis”, idealizado pela Secretaria Municipal de Saúde de Dourados em cooperação com a Secretaria de Estado de Saúde, também foi aprovado.

Complementando as ações, o Ministério da Saúde implementará Centros de Informação em Saúde e Clima em oito localidades estratégicas para monitoramento em tempo real de riscos, integração de dados e suporte a gestores e profissionais de saúde. A unidade para a região Centro-Oeste será sediada em Cuiabá (MT). Foi também lançado o Painel Nacional de Monitoramento de Calor Extremo, ferramenta que disponibiliza previsões diárias para todos os municípios brasileiros com antecedência de até cinco dias.

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