O Crime e a Conclusão da Investigação
A morte da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, encontrada sem vida em sua residência na Chácara dos Poderes, em Campo Grande, no dia 18 de maio, foi oficialmente concluída pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul como um caso de feminicídio. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) afastou a hipótese de suicídio, inicialmente levantada, e apontou o então marido da vítima, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, como o autor do crime. A conclusão da investigação, que durou cerca de três meses, foi consolidada após a análise de perícias técnicas que reuniram elementos probatórios suficientes para comprovar a materialidade do feminicídio.
Laudos periciais do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal foram cruciais para descaracterizar a versão de suicídio. A investigação buscou conectar os fatos e apresentar um panorama completo das circunstâncias que levaram ao trágico desfecho, buscando responder como uma morte que inicialmente parecia uma tragédia pessoal se desdobrou em um crime de ódio contra a mulher.
Prisão e Posicionamento da Defesa
Diante das evidências coletadas, a Justiça decretou a prisão preventiva de João Jazbik Neto, que foi cumprida na última sexta-feira (14). Durante a audiência de custódia no sábado (15), a ordem de prisão foi mantida. O médico, que passou por exame de corpo de delito que não apontou lesões recentes, teve sua defesa solicitando a revogação da prisão, alegando idade e estado de saúde, mas o pedido foi remetido ao juiz competente.
A defesa do cardiologista, representada pelo advogado José Belga Assis Trad, manifestou que o inquérito policial é um procedimento inquisitivo e que a oportunidade de defesa plena se dará em juízo. A defesa reiterou a posição do médico em sua versão dos fatos e lamentou a exploração enviesada e sensacionalista do caso.
O Contexto do Feminicídio em Mato Grosso do Sul
O caso de Fabíola Marcotti se insere em um cenário preocupante de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul. A lista de feminicídios registrados no estado em 2026 evidencia a persistência deste grave problema social, com diversas vítimas em diferentes municípios. A natureza cíclica e multifacetada da violência de gênero exige uma reflexão profunda sobre as causas estruturais que perpetuam esses crimes, incluindo a desigualdade social, o machismo e a dificuldade de acesso a mecanismos de proteção e denúncia.
Diante da gravidade da situação, torna-se fundamental que a sociedade civil e o poder público atuem de forma conjunta para combater a violência contra a mulher. Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira funciona 24 horas, oferecendo atendimento integral, incluindo social, psicológico, jurídico e abrigamento, além de contar com a Patrulha Maria da Penha. Canais de denúncia como o 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o 190 (emergência) são ferramentas essenciais para que as vítimas e testemunhas busquem ajuda e garantam a segurança.
O Promuse, com atendimento via WhatsApp (67) 99180-0542, e as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DAMs) no interior do estado reforçam a rede de apoio disponível para mulheres em situação de violência. É um lembrete constante de que a luta contra o feminicídio e todas as formas de violência de gênero é uma responsabilidade de todos.
Fonte: Midiamax

