- Campo Grande atingiu o maior superávit da balança comercial em 29 anos, totalizando US$ 252,228 milhões no primeiro semestre de 2026.
- As exportações foram impulsionadas principalmente pelo setor de proteínas animais, com um crescimento expressivo de 40,24% em relação ao ano anterior.
- A Rota de Integração Latino-Americana (RILA) se consolida como um corredor logístico estratégico, movimentando US$ 183,019 milhões no período.
A capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, encerrou o primeiro semestre de 2026 com um feito notável em sua balança comercial, registrando o maior superávit para o período desde 1997. O saldo positivo alcançou US$ 252,228 milhões entre janeiro e junho, um marco que reflete a crescente inserção da cidade no cenário econômico internacional.
A Força das Exportações e a Liderança das Proteínas Animais
O desempenho recorde é diretamente ligado ao expressivo crescimento das exportações. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, o volume exportado somou US$ 462,473 milhões, representando um aumento de 40,24% em comparação com o mesmo período de 2025. As importações também apresentaram alta, avançando 88,48% e totalizando US$ 210,245 milhões, elevando a corrente de comércio para US$ 672,718 milhões. Mesmo com o incremento nas compras internacionais, a performance das exportações foi crucial para consolidar o maior saldo comercial já registrado para um primeiro semestre.
Este movimento de crescimento do comércio exterior de Campo Grande, que retomou sua trajetória ascendente em 2025 após uma retração em 2024, é sustentado principalmente pelo setor de proteínas animais. Somente em junho, as exportações de carnes e miudezas comestíveis atingiram US$ 69,980 milhões, confirmando este produto como líder absoluto na pauta exportadora municipal. Outros itens que ganharam destaque incluem resíduos de indústrias alimentares para alimentação animal, gorduras e óleos de origem animal e vegetal, além de peles e couros, evidenciando a diversidade da produção local com potencial exportador.
Na avaliação da prefeita Adriane Lopes (PP), os indicadores refletem o fortalecimento da economia local e a ampliação da presença de Campo Grande no mercado internacional. “Os números mostram que Campo Grande vem ampliando sua presença no comércio exterior e conquistando novos mercados. Esse crescimento fortalece nossa economia, atrai investimentos, gera empregos e amplia as oportunidades para quem produz e empreende na nossa cidade”, afirmou.
A RILA como Corredor Logístico e a Diversificação de Parceiros
Um fator estratégico que merece atenção é o avanço da Rota de Integração Latino-Americana (RILA) como um corredor logístico vital para o comércio exterior da Capital. Entre janeiro e junho, as operações comerciais que envolveram Argentina, Bolívia, Chile e Paraguai movimentaram US$ 183,019 milhões, montante equivalente a 27,21% de toda a corrente de comércio internacional de Campo Grande no período. Este dado sublinha a crescente relevância da RILA para conectar a produção sul-mato-grossense a mercados vizinhos, reduzindo distâncias e otimizando a competitividade.
Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Junior, os indicadores demonstram uma consolidação da inserção de Campo Grande no mercado internacional. “A Rila representa um importante diferencial logístico para o município, reduzindo distâncias, ampliando mercados e fortalecendo a competitividade das empresas locais. Esse cenário cria novas oportunidades de negócios, estimula investimentos e impulsiona o desenvolvimento econômico da Capital”, destacou.
Análises detalhadas revelam que o Chile se destacou como principal destino das exportações realizadas pela rota, concentrando embarques de carnes e miudezas comestíveis. Já nas importações via RILA, predominam combustíveis minerais e derivados provenientes da Bolívia e da Argentina, evidenciando uma complementaridade comercial na região.
No panorama global, a China permaneceu como o principal parceiro comercial de Campo Grande nas exportações. Apenas em junho, as vendas para o mercado chinês alcançaram US$ 49,761 milhões, um crescimento de 175,29% em relação ao mesmo mês de 2025. Os Estados Unidos, Indonésia e México seguem na lista dos principais destinos dos produtos exportados pelo município. Quanto às importações, a Bolívia liderou como principal fornecedora em junho, com destaque para combustíveis minerais, seguida pela China, Turcomenistão e Estados Unidos.
Somente em junho, Campo Grande exportou US$ 91,973 milhões, aumento de 48,71% na comparação anual. As importações totalizaram US$ 37,365 milhões, crescimento de 56,56%, resultando em um superávit mensal de US$ 54,608 milhões. Este cenário de contínuo crescimento e diversificação de mercados, tanto regionalmente quanto globalmente, convida a uma reflexão sobre os desafios e oportunidades que Campo Grande e o Mato Grosso do Sul enfrentarão para sustentar e expandir essa trajetória de sucesso econômico, capitalizando sua posição estratégica e a resiliência de seus setores produtivos.

