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Mato Grosso do Sul Projeta Revolução Logística: Empréstimos Bilionários para Dobrar Malha Asfaltada e Expandir Aeródromos até 2031

Destaques:

  • O Estado prevê expandir a malha rodoviária pavimentada de 2.800 km para 6.600 km até 2031, elevando a proporção de rodovias estaduais asfaltadas de 22% para 53%.
  • Investimentos significativos em infraestrutura, totalizando bilhões em empréstimos, são destinados à pavimentação de novas estradas e à modernização da rede aeroportuária.
  • A ampliação da infraestrutura é diretamente ligada ao avanço de novas atividades econômicas, como as fábricas de celulose, mas levanta questões sobre o modelo de desenvolvimento e seus impactos.

Mato Grosso do Sul delineia um plano ambicioso para sua infraestrutura logística, visando quase triplicar a extensão de suas rodovias estaduais pavimentadas até 2031. A projeção é que a malha asfaltada passe de cerca de 2.800 para 6.600 quilômetros, representando um aumento de 22% para 53% da totalidade de rodovias estaduais.

Até 2029, a expectativa é que a quantidade de quilômetros pavimentados se iguale à de estradas de terra, com exceção das vias localizadas no Pantanal. A malha rodoviária do Estado soma aproximadamente 12.600 quilômetros. No Pantanal, a estratégia adotada prioriza a manutenção de estradas de terra, essenciais para o transporte de rebanhos, o deslocamento de moradores, o acesso a propriedades e a circulação de turistas e equipes de emergência, sem previsão de asfaltamento.

A Malha Rodoviária e o Impulso Econômico

A expansão da infraestrutura acompanha de perto o surgimento e a consolidação de novas atividades econômicas, especialmente nas regiões que receberam fábricas de celulose. Um exemplo prático disso é o investimento em ligações como a MS-320, entre Inocência e Três Lagoas, e a MS-316, conectando Inocência a Paraíso das Águas. Essas obras atendem tanto a demanda dos moradores locais quanto o intenso fluxo de trabalhadores e cargas gerado pela construção de grandes empreendimentos industriais.

A conservação das rodovias estaduais é tradicionalmente financiada pelo Fundersul (Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul), cuja arrecadação provém de setores produtivos que utilizam as vias para escoar mercadorias. Os recursos são suficientes para a manutenção da malha existente, cobrindo serviços como tapa-buracos, roçada e sinalização. Contudo, o fundo não dispõe de capital para bancar a construção e pavimentação de novas rodovias em larga escala. Para viabilizar a ambiciosa ampliação, o Estado buscou parcerias e financiamentos externos.

Contratos bilionários foram firmados. Um deles, de R$ 2 bilhões, proveniente de um banco de desenvolvimento nacional, é direcionado principalmente à pavimentação de novas estradas. Outro financiamento, de R$ 950 milhões, foi assegurado junto a um grande banco para obras de drenagem, saneamento e asfalto em diversos municípios. Adicionalmente, US$ 200 milhões serão aplicados em projetos do modelo Crema, focado na restauração e manutenção de rodovias por meio de contratos de longo prazo.

O sistema Crema estabelece que a empresa contratada é responsável pela restauração da estrada e por sua conservação contínua por um período de oito anos. Diferentemente do modelo tradicional, onde pagamentos são efetuados por cada reparo, a empreiteira recebe uma mensalidade vinculada diretamente à qualidade da rodovia. Descontos podem ser aplicados em caso de problemas como buracos, mato alto ou falhas na sinalização. A intenção é incentivar a execução de obras mais duradouras e de alta qualidade, já que a própria empresa arcará com os custos de manutenção futura.

Essa estratégia de financiamento massivo levanta questões cruciais para a sociedade sul-mato-grossense. Qual o real impacto desses empréstimos bilionários na dívida pública do Estado e nas gerações futuras? O modelo Crema, embora inovador, garante transparência e fiscalização eficaz a longo prazo? A priorização de eixos rodoviários atrelados a grandes indústrias assegura um desenvolvimento equitativo para todas as regiões do Estado, ou intensifica disparidades? E a opção estratégica de manter o Pantanal com estradas de terra, embora ambientalmente justificada, como ela se integra com as necessidades de mobilidade e acesso a serviços para as comunidades que ali residem?

A Expansão Aeroportuária no Estado

Além das rodovias, a infraestrutura aeroportuária do Estado também passa por uma fase de expansão e modernização. Em 2023, o Mato Grosso do Sul contava com 11 aeródromos em operação e outros seis inativos. Atualmente, esse número saltou para 20 aeródromos homologados, com apenas um em processo de regularização. No período, o Estado adquiriu seis pistas e construiu outras quatro.

Em Inocência, o aeródromo existente tem sido fundamental para atender às demandas da crescente atividade industrial, sendo utilizado por técnicos, executivos e equipes envolvidas na implantação da fábrica de celulose. A estrutura já tem capacidade para receber aeronaves de porte médio, transportando cerca de 45 passageiros.

No Pantanal, os investimentos em pistas buscam atender a múltiplas necessidades, para além do turismo. Essas estruturas são cruciais no combate a incêndios florestais e no resgate de pessoas que vivem ou visitam áreas remotas. Um exemplo disso é o aeródromo em implantação na região de Porto São Pedro, na Serra do Amolar, que visa reduzir drasticamente o tempo de resposta em emergências de saúde ou de combate a incêndios.

Na capital, Campo Grande, o projeto de maior relevância é a ampliação do Aeroporto Santa Maria, localizado na saída para Três Lagoas. A pista passará de 1,5 para 1,8 quilômetro, e estão previstos novos equipamentos meteorológicos e sistemas mais precisos para auxílio a pousos e decolagens. Com essa expansão, o aeródromo poderá receber aeronaves maiores em situações emergenciais, incluindo modelos como Boeing 737 e Airbus, e deverá contribuir para desafogar o movimento de aviões particulares no Aeroporto Internacional de Campo Grande. O Santa Maria registra cerca de mil pousos e decolagens por mês, e, embora a maioria das operações seja privada, a estrutura tem um impacto indireto na economia ao facilitar a chegada de empresários e investidores.

Essa corrida pela modernização aeroportuária nos leva a refletir: como esses investimentos, muitos deles voltados a atender demandas de grandes indústrias e o fluxo de investidores, se traduzem em benefícios tangíveis para o cidadão comum? A expansão no Pantanal, embora vital para emergências, também não abre precedentes para um aumento do tráfego aéreo em um bioma sensível? Qual o planejamento para mitigar os impactos ambientais associados ao maior número de voos e à construção de novas pistas em áreas naturais?

Infraestrutura Urbana: Desafios e Oportunidades em Campo Grande

Paralelamente aos grandes projetos rodoviários e aeroportuários, o Estado também detalha obras de drenagem e pavimentação em bairros estratégicos de Campo Grande. Regiões como Itamaracá, Moreninhas, Novo Samambaia, Nashville, Itatiaia, Imbirussu e Nova Lima estão sendo contempladas. Nas Moreninhas 3 e 4, a previsão é finalizar a pavimentação de bairros inteiros.

No Novo Samambaia, o projeto é abrangente, incluindo asfalto, recuperação de uma unidade de saúde e a regularização fundiária de 463 famílias. A complexidade dessa intervenção reside no fato de que a ocupação irregular exige análise individualizada de cada imóvel antes das melhorias.

Na região do Imbirussu, as obras visam completar a ligação entre a Avenida Duque de Caxias e o anel rodoviário, criando uma importante alternativa para aliviar o trânsito intenso na Avenida Júlio de Castilho. Outro projeto considerado estratégico é a conexão das Moreninhas com a Avenida Guaicurus, pela Rua Salomão Abdala. Essa obra, em fase final de licitação, abrirá uma nova rota para uma das regiões mais populosas de Campo Grande. A desapropriação necessária é responsabilidade da prefeitura, por meio de convênio com o governo estadual, que já possui projeto e recursos para executar o acesso.

Ao observar essas intervenções urbanas, somos levados a questionar a profundidade do planejamento. Como a regularização fundiária se integra à infraestrutura, garantindo dignidade e direitos aos moradores? As novas rotas de trânsito em Campo Grande são soluções duradouras para o desafio da mobilidade em uma cidade que cresce incessantemente, ou são paliativos que demandarão novas intervenções em breve? E, finalmente, qual a definição de ‘progresso’ que permeia essas decisões? É um progresso que prioriza apenas o fluxo de bens e capitais, ou um que busca ativamente a melhoria da qualidade de vida, a sustentabilidade ambiental e a equidade social para todos os habitantes de Mato Grosso do Sul?

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