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Mato Grosso do Sul: Startup Local Desenvolve Inteligência Artificial para Identificar e Monitorar Bovinos por Imagem

Destaques:

  • Startup de Campo Grande desenvolve sistema de IA para identificar e monitorar bovinos por imagem.
  • Tecnologia busca otimizar a eficiência reprodutiva e o manejo do gado, reduzindo intervenções físicas.
  • O sistema utiliza visão computacional para extrair dados biométricos e identificar animais, com potencial para rastreabilidade nacional.

A convergência entre pesquisa científica e avanço tecnológico tem impulsionado novas soluções para o setor pecuário em Mato Grosso do Sul. Uma startup sediada em Campo Grande, em parceria com instituições de pesquisa, desenvolveu um sistema de inteligência artificial capaz de identificar e monitorar bovinos por meio de análise de imagens. A tecnologia visa aprimorar a eficiência reprodutiva e o acompanhamento do rebanho diretamente no campo, minimizando a necessidade de manejos invasivos.

O desenvolvimento se concentra em adaptar ferramentas digitais à realidade da reprodução animal, com o objetivo de aperfeiçoar processos como a inseminação artificial e a transferência de embriões. Uma das aplicações em desenvolvimento foca na seleção de embriões, atividade tradicionalmente dependente da avaliação visual humana, que apresenta variações significativas entre observadores. A nova ferramenta propõe a padronização dessa análise, visando identificar embriões com maior potencial de desenvolvimento gestacional.

Os benefícios dessa automação laboratorial refletem-se diretamente na pecuária extensiva. Produtores podem observar melhorias nas taxas de prenhez, aumento da rentabilidade advinda do ganho genético e redução de perdas gestacionais. Para além do laboratório, as soluções se estendem ao manejo de campo através de sistemas integrados que utilizam visão computacional para monitorar a saúde, o peso, a ingestão hídrica e a condição corporal dos bovinos. A análise de longo prazo de fêmeas receptoras de embriões, por exemplo, torna-se mais precisa, superando a limitação de avaliações pontuais.

O funcionamento da tecnologia baseia-se na conversão de imagens em dados biométricos. O sistema realiza a extração automatizada de medidas corporais e a identificação individual dos animais de maneira análoga ao reconhecimento facial em dispositivos móveis. A identificação é viabilizada pela análise do espelho nasal, uma característica única de cada bovino, que se mantém consistente mesmo em animais jovens. Pesquisas em andamento buscam comprovar a estabilidade dessa característica ao longo do tempo, o que abre a possibilidade de o sistema se tornar um mecanismo de rastreabilidade em nível nacional.

As tecnologias apresentadas encontram-se em diferentes estágios de desenvolvimento e comercialização. A contagem de animais via imagens capturadas por dispositivos móveis ou drones já está acessível aos pecuaristas. Sistemas de identificação e pesagem por imagem estão em fase de validação com produtores rurais, com o objetivo de expandir a base de dados e refinar a precisão.

O sistema de pesagem por imagem registra o peso dos animais com uma margem de erro média de 13 quilos ao final do confinamento, o que representa uma variação de aproximadamente 3% em animais de 500 quilos. Este índice é considerado comparável à precisão das balanças físicas convencionais. A presença de uma margem de erro é vista como um indicador de que a inteligência artificial está discernindo características biométricas, em vez de simplesmente memorizar padrões fixos, o que garantiria a funcionalidade do sistema mesmo diante de pequenas alterações no animal.

O principal benefício da pesagem e identificação por câmeras, segundo os desenvolvedores, reside na promoção do bem-estar animal e na segurança do ambiente de trabalho rural. A redução da movimentação de animais por troncos e balanças convencionais diminui o estresse do rebanho e minimiza o risco de acidentes de trabalho para os operadores.

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