A produção de tilápia em Mato Grosso do Sul transcende o consumo. O Estado se consolida como polo de uma cadeia produtiva que vai da alimentação à inovação em couro e biomateriais. Em 2025, a produção estadual atingiu 38,7 mil toneladas da espécie, respondendo por mais de 95% do total de peixes de cultivo.
A discussão sobre a classificação da tilápia como espécie exótica invasora está em pauta em âmbito nacional. Uma decisão a respeito está prevista para 28 de agosto, com a formação de um grupo de trabalho para definir critérios técnicos. A proposta visa diferenciar espécies com base em seu interesse socioeconômico e cadeia produtiva consolidada, o que pode impactar a atividade no Estado.
A piscicultura sul-mato-grossense manteve Mato Grosso do Sul na oitava posição nacional, com 40,62 mil toneladas de peixes cultivados. Dourados lidera na produção em viveiros escavados, com 758 hectares, enquanto Aparecida do Taboado se destaca em tanques-rede, com 1.154 estruturas.
As exportações de tilápia também ganham força. Em 2025, Mato Grosso do Sul foi o terceiro maior exportador do Brasil, com vendas que totalizaram US$ 10,7 milhões, representando 19% do mercado nacional. Filés frescos e congelados impulsionaram essas vendas, com destaque para o crescimento expressivo de 421% nas exportações de filé congelado.
A cadeia econômica da tilápia vai além do filé. A pele do peixe, antes considerada resíduo, agora é curtida para a produção de artigos como bolsas e acessórios. Pesquisas avançam no uso da pele e escamas como biomateriais, inclusive em curativos e tratamentos de queimaduras, além de biofilmes para embalagens de alimentos. Outros resíduos podem ser transformados em óleo, farinha e derivados.
Apesar do crescimento, a atividade ainda necessita de ampliação na infraestrutura de processamento para acompanhar a expansão. A concorrência internacional e as discussões regulatórias sobre a espécie invasora são fatores que exigem atenção e podem influenciar decisões de investimento no futuro próximo.

