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Violência contra a Mulher no Interior de MS: Falta de Estrutura Amplifica Vulnerabilidade, Aponta Especialista

A especialista em segurança pública, Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destacou em Campo Grande a relação direta entre a violência contra a mulher e a escassez de redes de proteção em municípios de menor porte no Brasil.

Segundo dados apresentados, aproximadamente 50% dos homicídios no país ocorrem em cidades com até 100 mil habitantes. Nessas localidades, a ausência de estruturas especializadas, como delegacias da mulher, casas-abrigo e centros de referência, agrava a vulnerabilidade das vítimas.

Mato Grosso do Sul reflete essa realidade. Somente nos primeiros três meses de 2026, pelo menos sete feminicídios foram registrados no estado, todos em cidades do interior. Em seis desses casos, os municípios possuíam menos de 100 mil habitantes.

Os crimes, em sua maioria, foram cometidos no ambiente doméstico por companheiros, ex-companheiros ou familiares. As cidades onde ocorreram os feminicídios incluem Paranhos, Anastácio, Bela Vista, Ponta Porã, Coxim e Corumbá. Três Lagoas, com uma população superior a 100 mil habitantes, registrou um dos casos.

Samira Bueno explicou que a concentração de crimes em cidades menores não é uma coincidência. A falta de equipamentos especializados dificulta o acesso à ajuda e impede que mulheres em situação de violência consigam romper o ciclo de agressões. A presença de uma rede de apoio estruturada aumenta as chances de denúncia e proteção.

O desafio apontado pela especialista é a expansão das políticas públicas para além dos grandes centros. Como a instalação de estruturas completas em todos os municípios é inviável, a integração entre diferentes setores, como assistência social, prefeituras e forças de segurança, torna-se fundamental.

A capacitação de policiais também foi ressaltada como um papel estratégico. Bueno defende que o atendimento a vítimas de violência doméstica requer preparo específico e sensibilidade, com uma “lente de gênero” para evitar a revitimização. O seminário realizado em Campo Grande foi destacado como um espaço importante para discutir estratégias e a importância de um atendimento qualificado para prevenir feminicídios.

Obtido via RSS Feed para: campograndenews.com.br

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