Abertura e Objetivos do Julho das Pretas
O mês de julho é dedicado em Mato Grosso do Sul à exaltação das vozes e narrativas de mulheres negras. A Secretaria de Estado da Cidadania, por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial, deu início à campanha Julho das Pretas. A programação visa reconhecer trajetórias inspiradoras, fortalecer políticas públicas voltadas à igualdade racial e expandir os espaços de participação e protagonismo das mulheres negras no estado.
Realizada nos dias 2 e 3 de julho, a abertura da campanha, que integra as ações do programa MS sem Racismo, reuniu representantes do poder público, movimentos sociais, pesquisadoras, artistas, lideranças comunitárias e ativistas. A agenda combinou formação, articulação institucional, atividades culturais e a valorização das mulheres negras sul-mato-grossenses.
Institucionalizado a partir de datas significativas como o Dia Internacional da Mulher Negra Afro-Latino-Americana e Caribenha (25 de julho) e o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra (instituído pela Lei nº 12.987/2014), o Julho das Pretas reforça a importância da luta das mulheres negras na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, reconhecendo suas contribuições históricas e contemporâneas para o desenvolvimento do estado.
A iniciativa é vista como um espaço de fortalecimento das vozes femininas negras, que ecoam a força e a ancestralidade. O objetivo é que a campanha dialogue diretamente com a garantia de direitos e o enfrentamento ao racismo institucional, evidenciando o trabalho transversal desenvolvido pelo Governo do Estado em parceria com subsecretarias e fundações para abranger desafios específicos e valorizar o patrimônio cultural produzido por mulheres negras em diversas áreas.
Programação do Dia 2 de Julho: Histórias Inspiradoras e Cultura
O primeiro dia de abertura, realizado no auditório da Secretaria de Estado da Cidadania, teve como principal momento o painel “MS sem Racismo: Histórias Inspiradoras”. O encontro reuniu mulheres que atuam em diferentes setores, contribuindo para a transformação de seus territórios por meio da educação, cultura, pesquisa, comunicação e mobilização social.
Participaram das falas institucionais a historiadora Melina de Lima, neta de Lélia Gonzalez e coordenadora de Articulação Interfederativa do Ministério da Igualdade Racial, e a subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Manuela Nicodemos. O painel, mediado pela comunicadora Romilda Neto Pizani, contou com a participação de profissionais e ativistas com trajetórias diversas, como a professora e pesquisadora Cintia Santos Diallo, a líder comunitária Fátima Aparecida Gomes, a ativista Letícia Polidório, a publicitária e pesquisadora Larissa de Paula, a professora Elis Regina Gonçalves, a fotógrafa e produtora cultural Hanna Sherman, e a sindicalista Maria do Socorro Nunes.
A abertura foi enriquecida com apresentações culturais da educadora Andréia Souza, criadora da personagem Preta Princesa, e da artista visual e poetisa BEJONA, demonstrando a cultura como ferramenta de identidade, pertencimento e transformação social.
Programação do Dia 3 de Julho: Formação, Memória e Economia Criativa
No segundo dia de eventos, realizado no Bioparque Pantanal e posteriormente no IPHAN/MS, a programação focou em formação, memória e cultura. Durante a manhã, ocorreu uma oficina técnica sobre o Sinapir (Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial), direcionada a gestores municipais, seguida pela eleição do Fórum de Promoção para Igualdade Racial, visando fortalecer a articulação entre Estado e municípios.
Ainda na parte da manhã, foram apresentadas as iniciativas Rotas Negra, do Ministério da Igualdade Racial, e as ações de Afroturismo em Mato Grosso do Sul, evidenciando o potencial turístico e cultural dos territórios negros do estado. A tarde incluiu a exibição do documentário Pantanal Negro, com mediação de Thayná Cambará, que valoriza a memória, os saberes e as contribuições da população negra sul-mato-grossense. A programação matutina contou com a apresentação cultural da poetisa Nathy MC.
O encerramento ocorreu no IPHAN/MS com o “Sarau Julho das Pretas”. O evento reuniu apresentações artísticas, a Feira Ziriguidum de Economia Criativa e a exposição do Coletivo Enegrecer, além de outras manifestações culturais que celebraram a produção artística, a ancestralidade e o protagonismo das mulheres negras no estado. Toda a programação foi gratuita e aberta ao público.

