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Vale da Celulose Impulsiona Exportações, Mas MS Alerta para Vulnerabilidade em Concentração de Mercados

O Vale da Celulose, polo industrial estratégico em Mato Grosso do Sul, demonstrou em julho uma força considerável na recuperação das exportações brasileiras de celulose de fibra curta. O desempenho foi significativamente impulsionado por Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, municípios que, em conjunto, responderam por quase 40% dos embarques nacionais no mês. Este movimento contribuiu para reverter um quadro de queda registrado anteriormente nas exportações do setor.

Desempenho Mensal e Consolidação Regional

Juntas, Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo embarcaram 688 mil toneladas de celulose em julho. Este volume representa um aumento de 26,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior e correspondeu a 38,6% do total exportado pelo Brasil, que somou 1,784 milhão de toneladas. O avanço se destaca em um contexto onde outros polos tradicionais, como Lençóis Paulista (SP), apresentaram retração, evidenciando uma mudança na distribuição regional das exportações brasileiras de celulose.

Três Lagoas, com unidades industriais de grande porte, registrou a exportação de 426 mil toneladas em julho, um crescimento de 22,4% em relação ao ano anterior. Este volume é o maior já registrado pelo município. Ribas do Rio Pardo, por sua vez, embarcou 262 mil toneladas, um aumento de 33,7% na mesma comparação. O município abriga a maior fábrica de celulose em linha única do mundo, inaugurada em 2024, um projeto que envolveu investimentos massivos na unidade fabril, base florestal e infraestrutura logística.

Análise Crítica e Vulnerabilidades Estratégicas

Apesar do desempenho positivo em julho, a consolidação da recuperação das exportações de celulose em Mato Grosso do Sul ainda requer cautela. A perspectiva apresentada por especialistas aponta que o resultado mensal, embora expressivo, não é suficiente para configurar uma tendência definitiva para os próximos meses, podendo ser alterado ao longo do ano.

Um ponto de atenção emerge ao analisar o desempenho acumulado de janeiro a julho deste ano. Mato Grosso do Sul experimentou uma perda de participação nas exportações de celulose em valor embarcado, com uma queda de 14,40% no período. Essa retração se contrapõe a uma leve alta de 1,12% registrada no Brasil como um todo. A análise sugere que a redução de preços do produto não explica totalmente essa perda de relevância estadual.

A principal vulnerabilidade identificada reside na concentração das vendas em um número reduzido de parceiros comerciais. Essa dependência intensifica a exposição do estado a eventuais oscilações nesses mercados específicos. Mesmo diante dessa conjuntura, Mato Grosso do Sul mantém a liderança em volume exportado de celulose no país há cerca de dois anos e meio, respondendo por aproximadamente 32% do total nacional no acumulado de 2026, ligeiramente à frente de São Paulo. Historicamente, o estado tem se consolidado como um importante player no mercado global, com períodos de liderança desde 2018.

No cenário macroeconômico, o mercado de papel e celulose, apesar do atual contexto de preços mais baixos, mantém uma perspectiva geral otimista para as empresas do setor.

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