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Violência Política de Gênero: TJMS sedia debate crucial sobre voz feminina em MS

Destaques:

  • O 2º Simpósio Nacional pela Paridade de Gênero no TJMS teve como foco a violência política contra mulheres.
  • Autoridades e especialistas de Mato Grosso do Sul debateram os obstáculos e soluções para a maior participação feminina na política.
  • O evento ressaltou a importância da representatividade feminina e a preparação para as eleições de 2026.

O Auditório do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) recebeu, nesta quinta-feira, 13 de agosto, o 2º Simpósio Nacional pela Paridade de Gênero. O tema central deste ano foi a “Violência Política de Gênero”.

O evento reuniu autoridades, representantes de instituições públicas e da sociedade civil. O objetivo foi discutir os obstáculos enfrentados pelas mulheres nos espaços de poder e decisão. Também foram abordadas estratégias para ampliar a participação feminina na política e fortalecer a democracia.

Contexto e Abertura do Simpósio

A iniciativa é do Fórum Permanente pela Paridade Institucional e Política das Mulheres. Este espaço de articulação, criado em 2021 e consolidado por decreto municipal, reúne entidades governamentais e não governamentais em defesa da igualdade de gênero.

A mesa de abertura foi composta por figuras importantes. Estiveram presentes: Angélica Fontanari, secretária-executiva de Políticas para a Mulher (Semu) de Campo Grande; Mônica Riedel, primeira-dama do Estado; Adriane Lopes, prefeita de Campo Grande; e a juíza Tatiana Dias de Oliveira Said, titular da 4ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. A juíza também representou a desembargadora Sandra Artioli, responsável pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJMS.

Vozes de MS no Debate

Angélica Fontanari abriu o evento destacando a relevância do tema. A violência política de gênero representa uma tentativa de afastar mulheres da vida pública e dos espaços de decisão. Fontanari afirmou: “Quando uma mulher desiste de uma candidatura por medo ou deixa de se posicionar por receio de represálias, não é apenas ela que perde. Perdem a democracia, a sociedade e as instituições, que deixam de contar com metade das vozes e das soluções”.

A secretária ressaltou que a paridade de gênero não pode ser apenas uma meta numérica. Ela deve ser uma garantia de participação efetiva e segura das mulheres. “Não há participação plena onde há medo. Enfrentar a violência política de gênero é condição para que a paridade se torne uma realidade substantiva”, completou.

Mônica Riedel, representando o Governo do Estado, enfatizou a importância da representatividade feminina. Ela disse que essa representatividade inspira novas gerações a ocupar espaços historicamente negados às mulheres. “Quando falamos de representatividade, falamos de olhar para uma mulher que chegou a determinado lugar e perceber que também é possível estar ali. Quantos sonhos deixaram de ser realizados porque alguém acreditou que aquele espaço não lhe pertencia?”, questionou.

A primeira-dama destacou a necessidade de criar oportunidades e ampliar políticas públicas voltadas à autonomia feminina. Iniciativas de capacitação profissional e educação são ferramentas importantes no combate às desigualdades e à violência. “Precisamos mudar aquilo que já não faz sentido. Não faz sentido que ainda não tenhamos a representatividade que as mulheres merecem na política e em tantas outras áreas”, declarou.

Adriane Lopes, a primeira mulher eleita prefeita de Campo Grande, compartilhou experiências pessoais. Ela falou sobre a violência política de gênero e ressaltou que mulheres em cargos de liderança ainda enfrentam resistência e invisibilização. A prefeita defendeu o fortalecimento da sororidade e a participação dos homens na construção de uma sociedade mais igualitária.

A juíza Tatiana Dias de Oliveira Said destacou que mulheres enfrentam julgamentos constantes e uma cobrança diferenciada em posições de liderança. “Somos julgadas em todos os momentos, desde a roupa que usamos até as decisões que tomamos. Para nós, tudo parece ser visto com uma lente de aumento”, observou.

A magistrada também chamou atenção para a sub-representação feminina nas estruturas de poder. “As mulheres são maioria da população e do eleitorado brasileiro, mas ainda são minoria nos cargos de liderança do Executivo, do Legislativo e também nos postos mais altos do Judiciário. Precisamos refletir sobre isso e compreender que essa desigualdade não pode ser naturalizada”, afirmou.

Análise Especializada e Perspectivas Futuras

A primeira palestra do simpósio foi conduzida pela advogada e professora universitária Isabela Damasceno. Especialista em Direito Eleitoral e Constitucional, ela é presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB de Minas Gerais e membro da Comissão de Direito Eleitoral do Conselho Federal da OAB.

Com o tema “O Xadrez das Cotas: Paridade de Gênero e Raça nas Eleições 2026”, a palestrante abordou os desafios enfrentados por mulheres que ingressam na política. Ela também enfatizou a importância das ações afirmativas para ampliar a representatividade feminina.

Isabela Damasceno destacou que a violência política de gênero se manifesta de diversas formas. Desde a invisibilização e a dificuldade de acesso a recursos até situações de assédio e interrupções constantes da fala das mulheres nos espaços de poder.

“A violência política cria um ambiente hostil e sub-representado para as mulheres. Somos maioria da população e do eleitorado, mas continuamos sendo minoria nos cargos de decisão. É preciso questionar por que essa realidade ainda é vista como algo normal”, afirmou.

A especialista ressaltou que mulheres que disputam cargos eletivos já demonstram coragem. Elas enfrentam críticas, ataques e diferentes formas de violência. “Só o fato de lançarem seus nomes e se disporem a ocupar esses espaços já é motivo de reconhecimento. É preciso fortalecer essas mulheres para que não desistam de ocupar o lugar que lhes pertence”, concluiu.

A programação do simpósio prosseguiu com debates sobre mecanismos de enfrentamento à violência política de gênero. Também foram discutidas estratégias para ampliar a participação das mulheres nos processos eleitorais e nos espaços de liderança, especialmente diante da preparação para as eleições de 2026.

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