Legado e Homenagens na Despedida
O ex-governador Marcelo Miranda, figura marcante na história de Mato Grosso do Sul, foi lembrado por seu legado político e pessoal durante o velório realizado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). Miranda, que faleceu aos 87 anos, detinha o Registro Geral (RG) de número 1 do estado, e sua esposa, Dulce Miranda, o de número 2, ambos emitidos após a criação de Mato Grosso do Sul em 11 de outubro de 1977. A história dos primeiros documentos estaduais foi evocada por familiares e autoridades presentes.
Trajetória Pública e Conexão com o Estado
A trajetória de Marcelo Miranda em Mato Grosso do Sul transcendeu a esfera política. Nascido em Uberaba (MG), mudou-se para o estado para atuar na Usina de Jupiá, construindo ali sua vida profissional e política. Durante a formação do novo estado, ele ocupava o cargo de prefeito de Campo Grande e, posteriormente, assumiu o governo estadual em duas ocasiões. Sua carreira incluiu ainda passagens como senador da República e superintendente regional do DNIT em Mato Grosso do Sul.
Despedida e Recordações Familiares
O velório, que iniciou na manhã de quarta-feira, contou com a presença de familiares, amigos e autoridades. O filho, Paulo Cançado, relembrou a profunda ligação do pai com Mato Grosso do Sul, destacando sua paixão pelo estado e suas contribuições nas áreas de educação e saúde. A perseverança diante dos desafios e seu papel como pai e figura religiosa foram enfatizados. A ex-primeira-dama Dulce Miranda não compareceu ao velório por estar internada em São Paulo.
Visão de Neto e Deputados
O deputado estadual João Henrique Catan, neto de Marcelo Miranda, ressaltou a dedicação do avô ao trabalho até os últimos anos de vida e sua personalidade conciliadora. Catan pontuou a gestão municipalista de Miranda, com foco na emancipação de municípios e entrega de infraestrutura. A Assembleia Legislativa suspendeu suas atividades em homenagem ao ex-governador, com leitura de decretos de luto oficial.
Avaliações sobre o Legado Político
Políticos de diversas gerações convergiram em suas avaliações sobre o legado de Marcelo Miranda. O senador Nelsinho Trad o descreveu como um “engenheiro tocador de obras”, citando as estradas, escolas e obras estruturais em todo o interior. O ex-senador Waldemir Moka destacou a capacidade de diálogo de Miranda com o Legislativo e sua relação respeitosa com as instituições. Moka reconheceu que os atrasos salariais no fim de sua gestão marcaram o período, mas contrapôs com as inúmeras realizações em infraestrutura. O ex-secretário Marcelo Miglioli ressaltou a contribuição para a malha rodoviária e a educação. O artista plástico Antônio Pedro Alcântara, amigo pessoal, celebrou o legado humano do ex-governador, definindo-o como um grande ser humano e figura histórica.

