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Rebanho Bovino em MS Diminui: Ciclo Pecuário e Mudanças no Uso da Terra Moldam a Retração

Cenário da Retração: Números e Impacto Inicial

Mato Grosso do Sul registrou uma diminuição expressiva de 616,7 mil bovídeos em um período de um ano, representando uma retração de 3,51% no rebanho estadual. Os dados, compilados pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), indicam que o plantel sul-mato-grossense passou de 17.588.711 animais em agosto de 2025 para 16.972.021 em agosto de 2026, uma diferença absoluta de 616.690 cabeças. Esses números integram o Saldo Geral de Animais do Estado, ferramenta oficial para o monitoramento quantitativo de espécies pecuárias na região.

Análise das Causas: Ciclo Pecuário e a Conversão de Terras

A explicação para essa redução no número de bovídeos é atribuída a uma confluência de fatores, segundo a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul). Um dos principais impulsionadores dessa queda está intrinsecamente ligado ao próprio ciclo pecuário. Nos anos anteriores, observou-se um aumento no descarte e no abate de fêmeas, incluindo animais que serviam como matrizes. Essa prática, embora possa ter atendido a demandas de mercado específicas, impacta diretamente a capacidade futura de reposição e crescimento do rebanho.

No entanto, já se vislumbra uma inversão nesse cenário. Há um movimento crescente de retenção de fêmeas destinadas à reprodução, uma estratégia de longo prazo para reestruturar e expandir o plantel. Contudo, os efeitos dessa nova abordagem sobre o quantitativo total de animais demandam tempo para se manifestar plenamente, indicando que a recuperação do rebanho será um processo gradual.

Paralelamente ao ciclo biológico e reprodutivo, a dinâmica do uso da terra em Mato Grosso do Sul também desempenha um papel significativo. Regiões tradicionalmente voltadas para a pecuária têm passado por transformações, com a conversão de áreas para outras atividades agrícolas de maior rendimento em determinados contextos econômicos. Essa mudança no perfil produtivo das propriedades rurais resulta, consequentemente, em uma diminuição do espaço e dos recursos disponíveis para a criação de gado bovino.

Exemplos concretos dessa transição são observados em municípios que historicamente se destacam na pecuária. Na região de Paranaíba, a expansão da cultura da cana-de-açúcar tem reconfigurado o uso do solo. De maneira semelhante, áreas em Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas têm testemunhado o crescimento da citricultura. Nesses três municípios, os dados da Iagro confirmam a redução do rebanho bovino entre agosto de 2025 e agosto de 2026: Ribas do Rio Pardo viu seu plantel cair de 755.950 para 687.415 bovídeos (-9,1%); Paranaíba, de 414.254 para 373.617 (-9,8%); e Três Lagoas, de 454.854 para 421.636 (-7,3%).

Corumbá, detentor do maior plantel do estado, também registrou uma queda de 2.166.088 para 2.073.387 cabeças, uma redução de 92.701 animais (-4,3%). Inocência apresentou um recuo de 301.565 para 268.854 animais (-10,8%). Outros municípios como Aquidauana, Figueirão, Sonora e Água Clara também sinalizaram diminuição em seus rebanhos durante o período analisado, evidenciando um padrão regional de reconfiguração das atividades agropecuárias.

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