O Pantanal fecha 2025 em estado crítico, consolidando-se como o bioma mais afetado pela crise hídrica no Brasil. A superfície de água disponível está 56% abaixo da média histórica registrada entre 1985 e 2025. Uma leve melhora ocorreu em relação a 2024, ano que já enfrentou uma das secas mais severas das últimas décadas.
Em 2025, o Pantanal registrou apenas 679 mil hectares de área com água, um número drasticamente inferior à média histórica de 1,56 milhão de hectares. Todos os meses do ano ficaram abaixo da média das últimas quatro décadas. Este padrão, considerado raro, aponta para uma mudança estrutural no regime hídrico da região.
Pesquisadores observam que o bioma abandonou seu ciclo tradicional de cheias e vazantes. Desde 2019, secas prolongadas e cheias sazonais menos intensas alteram o funcionamento natural do ecossistema.
A década de 1980 foi marcada por grandes inundações. Hoje, o cenário é de predominância de estiagens prolongadas. Essa mudança não é mais vista como variação pontual, mas como uma transformação no comportamento hidrológico regional.
O impacto da crise hídrica se concentra fortemente em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Municípios como Corumbá (MS) e Cáceres (MT) estão entre os mais afetados. Perdas expressivas de superfície de água comprometem a economia local e atividades dependentes do ciclo das águas.
O Pantanal foi o único bioma brasileiro em que todos os meses de 2025 ficaram abaixo da média histórica. Mesmo com um aumento de 34% em relação a 2024, o bioma ainda está longe de qualquer normalidade.
Em contraste, a Amazônia apresentou recuperação da superfície de água em 2025, ficando 2,6% acima da média histórica após dois anos de seca intensa. No entanto, cerca de 37% de suas sub-bacias ainda registram níveis abaixo do esperado, impactando comunidades ribeirinhas.

