O Resgate do Papel em Tempos Digitais
Num cenário dominado pela velocidade efêmera das telas e o ‘arrasta para cima’ constante, a escolha de um grupo de estudantes do Ensino Médio em Três Lagoas por lançar um jornal impresso é um ato de resistência e de profunda reflexão sobre o valor da informação. O “Conecta JOMAP”, iniciativa da Escola Estadual Professor João Magiano Pinto, não é apenas um periódico; é um manifesto que redescobre o prazer e a importância de ter a notícia tangível em mãos, um eco dos primórdios da comunicação de massa onde Gutenberg moldou o mundo pela imprensa móvel.
Mais de cinco séculos após a invenção que democratizou o acesso ao conhecimento, esses jovens do 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio optaram por um formato que permite a informação ser tocada, guardada e compartilhada de forma mais íntima e duradoura. O projeto nasceu sob a inspiração da professora Rubenita, que enxergou no jornal impresso uma poderosa ferramenta pedagógica, capaz de transcender os muros da sala de aula e integrar toda a comunidade escolar em um processo criativo e educativo.
Para Além da Linha de Chegada: Habilidades e Memória
O “Conecta JOMAP” vai muito além de um simples conjunto de reportagens. Cada edição é um laboratório vivo para o desenvolvimento de competências essenciais para o século XXI. A leitura crítica, a escrita argumentativa, a capacidade de interpretar diversos gêneros textuais e, fundamentalmente, a responsabilidade inerente à disseminação de informações são exercitadas de forma prática e significativa. Os alunos aprendem a apurar fatos, a dar voz a histórias que, de outra forma, poderiam se perder no fluxo incessante do cotidiano digital.
O jornal impresso torna-se, assim, um arquivo vivo da memória da escola. Projetos, conquistas, personagens marcantes e os desafios enfrentados pela instituição ganham contornos permanentes, evitando o risco de serem apenas efêmeras menções em linhas do tempo digitais. A produção de cada edição exige dos estudantes um processo completo de criação: desde a identificação de pautas relevantes até a decisão editorial sobre o que merece ser publicado, habilidades cruciais para formar indivíduos capazes de discernir o que é informação de qualidade em um mar de ruídos.
A iniciativa, apoiada pela direção da escola, com a diretora Lourdes Alves à frente, reforça a visão de uma instituição comprometida em formar não apenas alunos, mas autores, escritores e cidadãos observadores e reflexivos, capazes de ter algo a dizer ao mundo e de registrar suas histórias de uma forma que a sociedade possa, literalmente, segurar e valorizar.

