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Pantanal: Perda Hídrica Histórica Clama por Monitoramento e Ação

A superfície de água do Pantanal brasileiro sofreu uma redução drástica de quase 80% entre 1985 e 2023, caindo de 19.781,35 quilômetros quadrados para 3.817,65 km². A tendência é de perda contínua ao longo das décadas, conforme aponta um estudo recente que destaca a urgência de transformar o conhecimento científico em monitoramento permanente e políticas públicas eficazes.

Destaques:

  • Redução de aproximadamente 80% na área de água superficial do Pantanal em menos de quatro décadas.
  • Porção sul-mato-grossense apresentou a retração mais acentuada, com queda de 84,4%.
  • Especialista defende monitoramento contínuo e políticas públicas para antecipar e mitigar impactos.

Um dos autores do estudo, engenheiro florestal e doutor em Ciência Florestal, Sérvio Túlio Pereira Justino, enfatiza que a pesquisa não é um ponto final, mas sim uma base para o acompanhamento contínuo do comportamento do bioma. Ele ressalta que variações anuais de chuva não anulam a tendência de diminuição hídrica e que apenas o monitoramento permanente pode determinar uma recuperação real.

Mato Grosso do Sul, que concentra cerca de 65% do Pantanal brasileiro, registrou a maior retração. A área de água superficial no estado caiu de 12.501 km² em 1985 para 1.954 km² em 2023. Em termos absolutos, a perda no estado é mais expressiva, culminando em áreas de água superficial semelhantes às do Mato Grosso, apesar da diferença territorial.

O pesquisador defende que os dados sejam utilizados pelos órgãos ambientais para planejamento estratégico, identificando áreas vulneráveis para ações de conservação, prevenção de incêndios e gestão de recursos hídricos. Propõe ainda políticas públicas voltadas ao turismo sustentável, fortalecimento de comunidades pantaneiras e incentivo a práticas agropecuárias sustentáveis. A preservação do bioma, segundo ele, depende da atuação conjunta da ciência, do poder público e da sociedade.

O levantamento identificou que a redução da água superficial, embora presente em toda a série histórica, intensificou-se a partir dos anos 2000. O ano de 2021 foi o mais crítico, com a menor extensão de água superficial registrada, um cenário possivelmente reflexo dos incêndios de 2020, que devastaram uma grande área do Pantanal, com foco expressivo em Mato Grosso do Sul.

Embora o desaparecimento do bioma nas próximas décadas seja descartado, a continuidade da tendência atual pode alterar drasticamente suas características, com áreas alagadas sendo gradualmente substituídas por vegetação de ambientes mais secos, modificando a fauna e a dinâmica ecológica.

A pesquisa foi desenvolvida de forma independente por um grupo de pesquisadores egressos do doutorado da Unesp, sem financiamento específico, e nasceu da necessidade de comprovar cientificamente a percepção de que o Pantanal estava secando. Os pesquisadores conciliam o trabalho de análise de imagens de satélite e validação de resultados com suas atividades profissionais.

Diante da situação, o governo estadual reforçará o monitoramento de áreas suscetíveis a incêndios, com manutenção do sistema de acompanhamento de focos de calor e definição de período de proibição de uso do fogo. O Corpo de Bombeiros também anunciou o reforço de suas ações, incluindo o uso de drones com câmeras térmicas e monitoramento por satélite 24 horas em parceria com o Imasul.

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