Destaques:
- Campo Grande foi palco da primeira telecirurgia robótica do Brasil, um marco na medicina nacional.
- O procedimento envolveu uma equipe cirúrgica localizada em Salvador, Bahia, controlando um robô a mais de 2.300 km de distância.
- A intervenção utilizou internet via satélite Starlink e possibilitou a alta do paciente em menos de 24 horas.
Um homem de 56 anos, residente em Campo Grande, submeteu-se a uma operação médica inovadora no país. O procedimento, realizado no Hospital Cassems, removeu um tumor maligno de um rim por meio de uma telecirurgia robótica. A equipe médica responsável conduziu a intervenção de Salvador, Bahia, enviando comandos a um robô cirurgião instalado na capital sul-mato-grossense, superando uma distância superior a 2.300 quilômetros.
Avanço Tecnológico e o Procedimento
Denominada nefrectomia parcial robótica por telecirurgia, a operação teve uma duração de aproximadamente quatro horas. A intervenção resultou na retirada de uma massa de 6,2 centímetros, originária de um câncer. Um dos aspectos notáveis da cirurgia foi a utilização de internet via satélite da Starlink, marcando a segunda vez em âmbito mundial que essa tecnologia é aplicada em um procedimento operatório desse tipo.
Recuperação e Perspectivas de Acesso
A agilidade proporcionada pela cirurgia robótica permitiu uma recuperação pós-operatória expressiva, com o paciente recebendo alta hospitalar em menos de 24 horas. O médico urologista e especialista em cirurgia robótica de Campo Grande, Bruno da Rosa, que integrou a equipe, esclareceu que o procedimento é considerado curativo e contribui para uma maior preservação da função renal em comparação com outras técnicas. Ele detalhou que a recuperação segue um padrão de cirurgia de pequeno porte, com o paciente liberado para dirigir em 15 dias e apto a retomar atividades físicas normais em 30 dias.
Atualmente, o acesso a essa modalidade cirúrgica está restrito à rede particular. O urologista e cirurgião robótico Nilo Jorge Leão, que liderou a operação de Salvador, manifestou a expectativa de que os custos relacionados a essa tecnologia diminuam rapidamente, impulsionando a democratização do acesso. Ele enfatizou que se trata de um avanço significativo que pode expandir o acesso à saúde de qualidade, especialmente para indivíduos distantes dos grandes centros, prevendo que governos reconheçam a relação custo-benefício positiva da tecnologia.
A realização da telecirurgia robótica resultou de uma colaboração entre a Cassems, o IART (Instituto de Anatomia Robótica e Treinamento) da Bahia, e as empresas Hospcom e MicroPort.

