- Professor Paulo Teodoro, da UFMS, venceu o Prêmio Fundação Bunge 2026.
- Pesquisas utilizam inteligência artificial e drones para proteger lavouras de seca e altas temperaturas.
- Ele abriu mão de um concurso público para seguir carreira na ciência.
Paulo Eduardo Teodoro, professor da UFMS e natural de Aquidauana, fez uma escolha ousada. Ele tinha a estabilidade de um concurso público como engenheiro civil. Mas optou pelo caminho da pesquisa, abraçando o mestrado em Agronomia. Uma decisão que, mais de uma década depois, o levou a um dos maiores reconhecimentos científicos do Brasil.
“Não foi uma decisão fácil. Muita coisa passa pela cabeça. Não é todo dia que uma pessoa abre mão de um concurso, que oferece estabilidade e um bom salário”, afirmou Paulo.
O professor foi anunciado como vencedor do Prêmio Fundação Bunge 2026, na categoria Juventude. Seu trabalho inovador utiliza inteligência artificial, agricultura digital, drones e sensores. O foco é crucial para o agronegócio de Mato Grosso do Sul: ajudar a agricultura a enfrentar os efeitos da seca e das altas temperaturas.
A conquista tem um sabor especial na família Teodoro. A esposa de Paulo, Larissa Pereira Ribeiro Teodoro, também professora da UFMS, recebeu o mesmo Prêmio Fundação Bunge em 2024. “Minha esposa ganhou em 2024, e agora, em 2026, é a minha vez. Isso representa a consolidação de toda uma trajetória desde que escolhi esta carreira”, destacou Paulo.
A Virada na Carreira
Filho de um mecânico e uma vendedora, Paulo cresceu em Aquidauana. Sempre gostou de matemática, o que o levou à Engenharia Civil. Mas a paixão pela ciência aflorou durante a faculdade, onde cursou Agronomia na UEMS simultaneamente por cinco anos.
O contato com o professor Francisco Eduardo Torres foi o divisor de águas. “Foi a primeira vez que tive contato com um professor apaixonado pelo que fazia. Isso mudou minha forma de enxergar a docência”, explicou.
Pouco tempo depois, Paulo mergulhou em experimentos e pesquisas. “Comecei a trabalhar com o professor Francisco. Ali, realmente, tomei gosto, me apaixonei pela Agronomia. Ele mudou minha vida, com certeza”, revelou.
IA no Campo: Protegendo Lavouras
As pesquisas coordenadas por Paulo hoje unem genética vegetal, agricultura digital, sensoriamento remoto e inteligência artificial. O objetivo é claro: desenvolver ferramentas que identificam rapidamente o estresse hídrico e térmico em culturas essenciais como soja, milho e algodão.
Uma linha de pesquisa busca selecionar materiais genéticos que usam água de forma mais eficiente. Isso garante boa produtividade, mesmo com as mudanças climáticas. “Utilizamos sensores embarcados em drones e satélites. Conseguimos detectar a resposta da lavoura muito mais rápido que o olho humano”, detalhou Paulo.
Essas tecnologias já são uma realidade no campo. O uso de drones, sensores e satélites para monitoramento agrícola cresce. “A cada ano, o produtor rural terá essa tecnologia mais acessível. Isso permite decisões mais assertivas, maximizando a produtividade e minimizando custos”, afirmou o professor.
A Força da Ciência Sul-Mato-Grossense
Professor da UFMS desde 2017, no campus de Chapadão do Sul, Paulo ressalta o papel da universidade. Ele destaca o ambiente de valorização e o fortalecimento da pesquisa científica no Estado.
O trabalho conjunto de grupos de pesquisa levou o Programa de Pós-Graduação em Agronomia a evoluir da nota 3 para a nota 5 da CAPES. Isso permitiu a implantação do curso de doutorado. “Sou muito feliz sendo professor da UFMS. A universidade sempre valorizou seus cientistas e dá suporte para fazermos ciência da melhor forma”, enfatizou.
O apoio da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul) também é fundamental. “O Estado tem crescido cada vez mais no cenário nacional e agrícola. O apoio da Fundect tem melhorado nossa infraestrutura e permitido responder aos desafios da agricultura moderna”, completou.
Próximos Passos e o Futuro do Campo
O pesquisador agora quer ampliar o uso de modelos de inteligência artificial. A meta é transformar dados de experimentos em recomendações práticas para o produtor rural.
“Queremos usar modelos de inteligência computacional cada vez mais e simplificar essa informação. Fazer simulações para entender como materiais genéticos e estratégias de manejo podem ajudar o produtor”, explicou Paulo. O foco é minimizar custos e maximizar a produtividade em cenários de mudanças climáticas. Essa é a forma de levar a ciência do laboratório diretamente para o campo.

