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Polilaminina em MS: Pacientes relatam melhora, mas eficácia do tratamento para lesões medulares ainda é incerta

Destaques:

  • Quatro pacientes em Mato Grosso do Sul foram submetidos a cirurgias com polilaminina, medicamento experimental para lesões medulares.
  • Relatos iniciais indicam melhora em alguns casos, como formigamento e dor nas pernas, mas sem comprovação científica.
  • O uso da polilaminina ainda é cercado de polêmicas na comunidade científica devido à fragilidade das evidências de eficácia.

Mais de seis meses se passaram desde a primeira cirurgia com polilaminina em Mato Grosso do Sul, realizada na tentativa de devolver movimentos a pacientes com lesões medulares. Quatro operações foram feitas no estado, e o caso mais recente apresenta os relatos de maior evolução.

As cirurgias exigiram autorização da Justiça Federal, pois o medicamento não é registrado na Anvisa e está em fase de estudos. As permissões foram para uso individual e compassivo, uma exceção para tratamentos sem alternativas globais. A polilaminina é produzida pelo laboratório Cristália em parceria com a pesquisadora Tatiana Sampaio, da UFRJ.

O entregador Dhyego Paredes, 35, operado em março após ser atingido por bala perdida, é um dos que afirmam ter avanços. Ele relata sentir formigamento e dor nas pernas, além de ter conseguido mexer um pé. Com fisioterapia diária, ele demonstra evolução em vídeos, apresentando mais rigidez nas pernas.

No entanto, não é possível afirmar que a melhora seja exclusivamente pela polilaminina. Dhyego e os outros três pacientes de MS ainda não passaram por avaliações médicas ou científicas conclusivas. O uso compassivo os exclui de estudos experimentais rigorosos. Fatores como as características individuais, outros tratamentos e a evolução natural das lesões também podem influenciar os resultados.

Nenhum paciente relatou efeitos negativos do medicamento. O laboratório Cristália monitora os casos para eventos adversos, conforme determinação da Anvisa.

O soldado do Exército Luiz Otávio Nunez, 19, foi o primeiro no estado e o mais jovem no Brasil a receber a polilaminina, em janeiro. Ele perdeu os movimentos da cintura para baixo após um disparo acidental. O laboratório informou que uma reavaliação médica após seis meses de aplicação ocorrerá em breve.

Luiz Otávio compartilha vídeos nas redes sociais mostrando melhora e contrações voluntárias na região pélvica durante fisioterapia, indicando progressos em exercícios focados.

Maria José Gonçalves, 64, e Daniel Aparecido Costa dos Santos, 32, foram operados em março. Maria relata sensibilidade nas pernas e vontade de ir ao banheiro. Sua filha aponta a necessidade de melhor assistência pública.

Daniel, que mora em Sidrolândia, se desloca diariamente para Campo Grande para fisioterapia. Ele sente formigamento nas pernas, mas ainda não teve evolução significativa no movimento.

A polilaminina, uma junção de ‘poli’ (muitos) e ‘laminina’ (proteína), visa regenerar a medula espinhal. Um estudo revisado por pares sobre a substância está prestes a ser publicado, buscando sanar dúvidas sobre sua eficácia.

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