Enquanto Mato Grosso do Sul se prepara para enfrentar uma nova onda de calor, os dados mais recentes sobre incêndios florestais chamam a atenção, principalmente em relação ao Pantanal.
**Destaques:**
- A área queimada no Pantanal aumentou 770,7% entre janeiro e 15 de julho.
- O fenômeno El Niño e condições climáticas extremas favorecem a propagação do fogo.
- A previsão sazonal indica ‘Alerta Alto’ para incêndios florestais nas regiões pantaneiras de MS nos próximos meses.
Entre 1º de janeiro e 15 de julho, a área devastada pelo fogo no bioma saltou de 6.762 para 58.878 hectares, um aumento de 770,7% em comparação com o período correspondente. O número de focos de calor também mais que dobrou, passando de 69 para 149 registros. O monitoramento dos incêndios florestais no Estado, realizado pelo Centro Integrado de Coordenação Estadual e Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo (Cicoe-PEMIF) em colaboração com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec) e a Assessoria do Corpo de Bombeiros Militar (ASBOM), revela a urgência do cenário.
A Disparada no Pantanal e o Cenário Climático
O cenário preocupa profundamente a sociedade sul-mato-grossense, pois coincide com o avanço do fenômeno El Niño e a previsão de condições meteorológicas extremamente favoráveis à propagação do fogo. A previsão do Cemtec indica que, entre esta sexta-feira (17) e a próxima quinta-feira (23), haverá predomínio de sol, temperaturas máximas entre 34°C e 38°C, umidade relativa do ar variando entre 10% e 30% e ausência de chuva em todo o Estado. Essas condições criam um barril de pólvora ambiental, onde qualquer faísca pode se transformar em um incêndio de grandes proporções, ameaçando a rica biodiversidade e as comunidades locais. A magnitude do aumento no Pantanal levanta questionamentos sobre a preparação e as estratégias de prevenção em um bioma tão sensível e vital para o ecossistema global.
Contrastes nos Biomas e a Resposta do Estado
Apesar da situação alarmante no Pantanal, o levantamento mostra um comportamento diferente nos demais biomas de Mato Grosso do Sul. No Cerrado, a área queimada caiu 44,5%, passando de 24.783 para 14.615 hectares, enquanto os focos de calor recuaram de 578 para 321 registros. Na Mata Atlântica, a área atingida diminuiu 12,7% e os focos de calor tiveram redução de 44,7%. Essa disparidade levanta a questão do porquê o Pantanal é desproporcionalmente afetado. O Corpo de Bombeiros Militar atua no Pantanal desde o início do ano, e neste período, 402 bombeiros e bombeiras militares já foram empregados nas ações de prevenção, preparação e combate aos incêndios florestais. Embora o número total de ocorrências de incêndios em vegetação atendidas pelo Corpo de Bombeiros no Estado tenha apresentado redução de 16,7% (1.170 atendimentos entre janeiro e 15 de julho deste ano, contra 1.405 no período correspondente), a gravidade e a intensidade dos incêndios no Pantanal representam um desafio distinto e complexo.
O Alerta para os Próximos Meses e o Desafio da Prevenção
A preocupação se intensifica para os próximos meses. A previsão sazonal do Cemtec aponta que, entre agosto e outubro, a maior parte de Mato Grosso do Sul deverá permanecer sob níveis de risco de fogo classificados entre ‘Atenção’ e ‘Alerta’. Nas regiões pantaneiras, norte e nordeste do Estado, a classificação é ainda mais severa, com previsão de ‘Alerta Alto’ para ocorrência de incêndios florestais. Diante deste cenário, a sociedade sul-mato-grossense é confrontada com questionamentos cruciais: estamos realmente preparados para enfrentar essa escalada? Quais são as responsabilidades coletivas e individuais na prevenção de incêndios? Como o Estado pode proteger seu patrimônio natural mais valioso diante de adversidades climáticas crescentes? A resposta a essas perguntas determinará o futuro do Pantanal e a resiliência de Mato Grosso do Sul frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pela ação humana.

