Valorização e Comercialização de Artesanato Indígena em Mato Grosso do Sul
O artesanato produzido pelas nove etnias indígenas de Mato Grosso do Sul tem recebido atenção especial por meio de ações que visam a sua valorização e a ampliação de sua comercialização. A Fundação de Cultura do estado tem sido um pilar nesse processo, promovendo a venda de peças na Casa do Artesão, incentivando a participação em feiras nacionais e estendendo o apoio até as aldeias com a emissão da Carteira Nacional do Artesão. As produções abrangem uma diversidade de materiais, como cerâmica, fibras vegetais e sementes, refletindo a riqueza cultural de cada etnia.
As etnias Terena, Kadiwéu e Kinikinau destacam-se no cenário de comercialização, especialmente pela maestria na produção de cerâmica. Embora outras etnias, como Guató e Ofaié, também apresentem suas peças, a venda ainda se desenvolve em ritmo mais lento. A cerâmica Terena, em particular, é reconhecida como um patrimônio cultural de grande relevância, com forte circulação de produtos tanto por meio de associações indígenas quanto por entidades não indígenas, o que demonstra um alcance significativo, apesar de desafios de acesso financeiro a eventos.
O Papel da Casa do Artesão e Eventos Culturais
A Casa do Artesão figura como um espaço histórico e de referência para o artesanato indígena, abrigando produções por mais de três décadas. A presença constante de artesãos das etnias Kadiwéu, Terena e Kinikinau no local é vista como um fortalecimento da identidade cultural e do patrimônio histórico do estado. Para os artesãos, a Casa do Artesão representa não apenas um ponto de venda, mas um canal vital para a divulgação de seus trabalhos e para a geração de renda, especialmente para aqueles que não possuem empregos fixos.
A participação em feiras nacionais é outro ponto crucial para o escoamento da produção artesanal indígena. Frequentemente realizada por meio de associações, essas feiras permitem uma ampla visibilidade e vendas expressivas, com a cerâmica Terena mantendo uma posição de destaque. A Fundação de Cultura também atua na qualificação de outros tipos de artesanato e na abertura de oportunidades em festivais locais, como o Festival de Inverno de Bonito e o Festival América do Sul, além de editais com vagas específicas para a população indígena, visando a representatividade e a compreensão do mercado artesanal.
Depoimentos e Legado Ancestral
Artesãos como Cleonice Roberto Veiga (Cléo Kinikinau), Creusa Virgílio (Kadwéu) e Rosenir Batista (Terena) compartilham suas experiências e a importância do artesanato em suas vidas. Cleonice ressalta como a Casa do Artesão tem sido fundamental para divulgar seu trabalho em cerâmica e argila, além de acessórios, e para prover sustento familiar. Creusa Virgílio, que segue os passos de sua mãe e irmã, vê no artesanato Kadwéu uma forma de manter a cultura viva, fortalecer a identidade de mulher Kadwéu e garantir a renda familiar.
Rosenir Batista, que ministra oficinas em escolas para perpetuar o conhecimento da cerâmica Terena, aprendeu a técnica com sua avó e a transmite para suas filhas e netas. Há mais de 49 anos trabalhando com a arte em cerâmica, ela enfatiza o compromisso de manter viva essa tradição ancestral, que se tornou sua principal fonte de renda e a base da atividade de sua família na aldeia Cachoeirinha, em Miranda. O artesanato, para ela e para sua comunidade, é um elo fundamental para a continuidade da cultura e do trabalho iniciado por gerações anteriores.

