InícioPoliticaVereador promete voto contra reajuste no transporte público após parecer do MPMS

Vereador promete voto contra reajuste no transporte público após parecer do MPMS

Destaques:

  • Vereador Landmark Rios (PT) se posiciona contra reajuste na tarifa do transporte coletivo após parecer do Ministério Público Estadual.
  • MPMS aponta risco de “enriquecimento sem causa” por parte do Consórcio Guaicurus, questionando aumento milionário de repasses.
  • Parlamentar critica falta de melhorias no serviço, como aquisição de ônibus novos e climatização, apesar de repasses e subsídios públicos.

A esfera política de Mato Grosso do Sul testemunha uma nova rodada de embates sobre a tarifa do transporte coletivo. Após o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) manifestar-se contrariamente ao pedido do Consórcio Guaicurus para elevar a tarifa técnica do transporte público, o vereador Landmark Rios (PT) reiterou sua posição contrária a qualquer aumento, condicionando aprovações a melhorias concretas para os usuários.

O parecer do MPMS, assinado pelo procurador de Justiça Aroldo José de Lima, identificou um potencial cenário de “enriquecimento sem causa” para as empresas concessionárias. A manifestação ministerial ecoa as preocupações de parcela da sociedade e de representantes eleitos sobre a sustentabilidade e a justeza dos custos do sistema de transporte.

“Se vier aqui para a Câmara aumento de passagem ou mais dinheiro para o consórcio, o meu voto é claro: é contra”, declarou o vereador Landmark Rios, sublinhando a intransigência em relação a propostas que não sejam precedidas por avanços perceptíveis na qualidade do serviço oferecido à população.

O parlamentar dirigiu críticas contundentes à atuação do Consórcio Guaicurus, argumentando que, mesmo após investigações como a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada na Câmara Municipal, não houve melhorias significativas. A ausência de renovação da frota, a deficiência no sistema de ar-condicionado dos veículos e a falta de aprimoramento das linhas e da qualidade geral do serviço foram apontados como exemplos da estagnação.

O questionamento ministerial sobre o aumento milionário dos repasses ao consórcio ganha contornos mais nítidos ao analisar os recursos públicos destinados. Segundo o parecer, somente em 2026, o Consórcio Guaicurus já teria recebido mais de R$ 38,5 milhões provenientes da Prefeitura de Campo Grande, distribuídos entre R$ 28 milhões em subsídios econômicos e R$ 10,5 milhões em isenções tributárias. A solicitação de reajuste pelo consórcio poderia adicionar cerca de R$ 45 milhões anuais às receitas das empresas.

Adicionalmente, o Ministério Público ressaltou que uma perícia judicial realizada em um processo distinto indicou um quadro econômico divergente daquele apresentado pelas empresas de transporte. Um relatório técnico elaborado pela comissão de intervenção municipal também corrobora a visão de que falhas na prestação do serviço são recorrentes e que a solução para os problemas do transporte coletivo transcende os meros reajustes tarifários.

O engajamento do vereador Landmark Rios com a pauta do transporte público remonta ao seu primeiro ano de mandato, quando foi um dos articuladores para a criação da CPI do Consórcio Guaicurus. Naquele momento, a defesa era pela investigação aprofundada da qualidade dos serviços, dos contratos e da aplicação dos recursos públicos. Paralelamente, o vereador propôs o projeto “Ar no Busão”, visando tornar obrigatório o funcionamento integral do sistema de ar-condicionado nos ônibus. A proposta, aprovada pela Câmara Municipal em 2025, foi vetada pelo Executivo, mas reapresentada em 2026 com o objetivo de garantir a climatização em novos veículos e estabelecer mecanismos de fiscalização.

Diante deste cenário, Landmark Rios enfatiza a insatisfação com a precariedade do serviço. “O povo pega ônibus lotado, quente, demora horas no ponto e ainda querem colocar mais dinheiro público sem melhorar o serviço. Campo Grande merece respeito”, concluiu o parlamentar.

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