Procedimentos Legais e a Espera Familiar
Mato Grosso do Sul aguarda uma decisão da família da pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, para dar sequência aos procedimentos de liberação do corpo da cientista. Ela morreu na queda de um avião de táxi aéreo na manhã de sexta-feira (3), em Campo Grande. Embora a identificação da vítima já tenha sido concluída, o corpo permanece no Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) até que familiares ou representantes legais definam os próximos passos. As possibilidades incluem o traslado para a Alemanha ou a realização do sepultamento no Brasil.
A identidade da pesquisadora foi formalmente estabelecida, dispensando a necessidade de exames complementares como teste de DNA ou identificação papiloscópica. A liberação pode ser efetuada por um familiar ou por representante legalmente constituído, como um advogado ou integrante do consulado alemão. Em situações envolvendo o falecimento de estrangeiros no país, é comum que consulados ofereçam suporte na comunicação com familiares, na emissão de documentos e nos procedimentos para o transporte internacional do corpo. A escolha da família pode também envolver a viagem de parentes ao Brasil para acompanhar pessoalmente os trâmites.
Um caso com desdobramentos semelhantes ocorreu em Mato Grosso do Sul após o falecimento do arquiteto e urbanista chinês Kongjian Yu, em 2025, em uma queda de avião no Pantanal. Naquela ocasião, familiares viajaram ao estado para acompanhar os procedimentos relativos à liberação do corpo e seu retorno ao país de origem.
Lydia Möcklinghoff estava a bordo da aeronave junto ao piloto Henrique Martin de Carvalho, que também faleceu no acidente. O corpo do piloto já foi liberado pela perícia e sepultado em Campo Grande no sábado (4).
Legado Científico e as Investigações em Andamento
A trajetória de Lydia Möcklinghoff foi intensamente ligada à conservação da fauna brasileira. Zoóloga, ecóloga tropical, bióloga comportamental e jornalista científica, a doutoranda alemã dedicava suas pesquisas ao estudo de mamíferos silvestres e mantinha uma parceria de longa data com o Instituto Tamanduá. Suas frequentes viagens ao Pantanal eram para realizar trabalhos de campo e monitoramento de espécies. Na sexta-feira, ela se dirigia a mais uma expedição científica quando a aeronave caiu logo após decolar do Aeroporto Santa Maria. Sua morte gerou comoção entre a comunidade científica, ambientalistas e instituições voltadas à conservação da biodiversidade, tanto no Brasil quanto internacionalmente.
As circunstâncias da queda da aeronave continuam sob investigação. A Polícia Civil, por meio do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), com o apoio da Polícia Científica, é responsável pela apuração. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e o Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV) também atuam na análise técnica. No sábado (4), investigadores removeram motores, hélices e outros componentes da aeronave para exames periciais. O objetivo central é identificar os fatores que contribuíram para o acidente, sem a atribuição de culpa ou responsabilidade criminal neste estágio.
A aeronave caiu momentos após sua decolagem do Aeroporto Santa Maria, em uma manhã marcada por neblina e visibilidade restrita. As causas precisas do acidente ainda não foram determinadas.

