A mãe da adolescente de 13 anos, vítima em um caso que chocou o país e teve origem em Naviraí, expressou sua esperança de que as plataformas digitais usadas pelo grupo investigado sejam responsabilizadas. A declaração surge após a Operação Lívia, que resultou na apreensão de cinco adolescentes e na prisão de um adulto.
Destaques:
- A mãe da vítima de Naviraí pede responsabilização das plataformas digitais.
- Órgãos federais, como a ANPD, investigam falhas de segurança em plataformas como o Discord.
- A Operação Lívia identificou um grupo que abordava e controlava jovens online, com a morte da adolescente sendo tratada como homicídio qualificado.
A mulher de 30 anos afirmou que, apesar da dor insubstituível pela perda da filha, a repercussão do caso e a prisão dos envolvidos podem ter evitado que outras crianças e adolescentes se tornassem vítimas.
“Sei que tudo isso não trará a minha filha de volta, mas sei que com toda essa repercussão e com a apreensão desses monstros, muitas vidas foram salvas das ameaças desses monstros. Espero que essas plataformas sejam responsabilizadas também”, declarou.
A investigação ultrapassou a esfera policial, levando a reações de órgãos federais. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) iniciou um processo de fiscalização contra o Discord. O foco é investigar possíveis falhas na proteção de crianças e adolescentes, analisando mecanismos de verificação de idade, remoção de conteúdos irregulares e comunicação de situações graves às autoridades.
A apuração que desencadeou a Operação Lívia começou com a morte da adolescente, registrada em 22 de julho. A Polícia Civil identificou cinco adolescentes e um adulto com participação no caso. A morte é tratada como homicídio, e os investigados podem responder por organização criminosa e homicídio qualificado.
A operação cumpriu seis mandados de busca e apreensão em vários estados, incluindo Mato Grosso do Sul. Cinco adolescentes foram apreendidos e um adulto teve a prisão preventiva decretada. Equipamentos eletrônicos apreendidos foram enviados para perícia em Campo Grande.
Segundo a investigação, o grupo atraía crianças e adolescentes pela internet e os direcionava para ambientes virtuais controlados por eles. A delegada responsável pelo caso descreveu a vítima como uma espécie de “escrava virtual”, submetida a controle psicológico.
A ANPD estabeleceu um prazo de cinco dias úteis para que o Discord apresente informações sobre seus mecanismos de prevenção e combate a violações contra menores. A legislação prevê multa de até R$ 50 milhões em caso de confirmação das irregularidades.
A delegada Anne Karine também apontou falhas de moderação no Discord, que não interrompeu uma transmissão relacionada aos fatos. A organização criminosa teria migrado entre diferentes plataformas para evitar a remoção de conteúdos.
A Advocacia-Geral da União (AGU) também se reuniu com representantes do Discord para discutir a proteção de menores. O órgão federal considera recorrer à Justiça para solicitar a retirada da plataforma do ar.

