Irmão de Ex-BBB na Lista: Um Foco de Atenção
A divulgação de uma lista de oito homens considerados foragidos em Mato Grosso do Sul gerou repercussão, em especial pela inclusão de Ronald Alves Cordeiro, irmão de Rafael Cordeiro, o Fael, vencedor do Big Brother Brasil 12. Conhecido pelo apelido de “Roni”, sua presença na relação oficial divulgada pelas autoridades estaduais levanta questões sobre a extensão do envolvimento de pessoas ligadas a figuras públicas em atividades ilícitas. A ficha de Ronald, disponibilizada pelas instituições de segurança, contém dados de identificação e fotografia, mas omite detalhes cruciais como os motivos exatos de sua procura, se há condenação, mandado de prisão em aberto ou status de fuga. A defesa de Cordeiro não pôde ser localizada para comentar o caso.
A possível ligação de Ronald Alves Cordeiro a atividades criminosas não é inédita. No ano anterior, uma empresa da qual ele figura como sócio foi alvo da Operação Red Flag, deflagrada pela Polícia Federal. Essa operação visava desmantelar um esquema de tráfico de drogas que utilizava aeronaves. As investigações levaram ao cumprimento de mandados de busca e apreensão em uma oficina aeronáutica em Campo Grande e na Romaer Aviação Agrícola Ltda., localizada em Aral Moreira. Fundada em 2007, a Romaer atua no setor de pulverização e controle de pragas agrícolas, e Cordeiro é um dos seus sócios. Na época da operação, a PF indicava o uso de aeronaves para o transporte de substâncias ilícitas como o foco principal.
Perfis e Conexões na Fronteira
Além de Ronald Alves Cordeiro, a lista de procurados apresenta outros sete nomes, cujos históricos revelam conexões profundas com o cenário de criminalidade em Mato Grosso do Sul, muitas vezes intrinsecamente ligadas à dinâmica da região de fronteira.
- Antônio Joaquim Mendes Gonçalves da Mota, conhecido como “Motinha”, é apontado pelas investigações da Polícia Federal como um líder de organização paramilitar atuante na região de fronteira. Sua notoriedade se deu, em parte, por supostamente ter evadido de operações policiais com o auxílio de apoio aéreo, o que evidencia um alto nível de articulação e recursos.
- Cleber Laureano Rodrigues Medeiros é identificado como uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado. Investigações o associam à participação em um “tribunal do crime”, um tipo de julgamento paralelo que culminou na execução de duas pessoas em Campo Grande, um retrato sombrio da justiça paralela que se estabelece em determinados contextos.
- Ronaldo Gonçalves Martinez, o “R7”, natural de Ponta Porã, foi condenado a 15 anos de prisão em regime fechado por homicídio qualificado por motivo torpe. A vítima foi morta após agredir a irmã de R7. Seu histórico criminal é extenso, incluindo outras acusações de homicídio, porte ilegal de arma e tráfico de drogas. Possui um mandado de prisão em aberto decorrente da Operação Blindspot, do Gaeco, que apura o vazamento de dados sigilosos.
- Tiago Vinícius Vieira, apelidado de “Dourado”, integra a lista, mas informações detalhadas sobre sua situação específica não foram amplamente divulgadas no material apresentado.
- Ricardo de Souza, que também utilizava o nome de Luís Carlos dos Santos e era conhecido como “Cabelo”, foi condenado em 2017. Sua condenação resultou da Operação Ictus, conduzida pelo Gaeco, que desarticulou uma organização criminosa com operações comandadas de dentro do sistema prisional.
- Osmar Pereira da Silva, conhecido como “Branco”, possui um extenso histórico de condenações, somando mais de 70 anos de prisão. Seus crimes incluem roubo, furto e participação em organização criminosa, inclusive em grandes assaltos.
- Phillypi Júnior Nunes Matos foi sentenciado a mais de dez anos de reclusão por tráfico de drogas e porte ilegal de armas. Sua ligação se estende ao transporte de uma quantidade significativa de pasta-base de cocaína e fuzis, interceptados em uma aeronave em Itaquiraí.
O Contexto da Divulgação e a Segurança Pública
A divulgação desta lista de procurados pelas autoridades de Mato Grosso do Sul, em especial pela Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), é uma ferramenta de inteligência e policiamento. O objetivo é engajar a sociedade na identificação e localização desses indivíduos, além de demonstrar o trabalho contínuo das forças de segurança na repressão à criminalidade. A presença de nomes com histórico de envolvimento em organizações criminosas de alta periculosidade, como o PCC, e a ligação com o tráfico aéreo, como no caso do empresário aeronáutico, sublinham a complexidade dos desafios enfrentados no estado. A região de fronteira, com sua extensa malha viária e proximidade com países vizinhos, apresenta particularidades que favorecem o trânsito de atividades ilícitas. A questão que se coloca é como essas redes criminosas se estabelecem e se perpetuam, e qual o papel de cada indivíduo, dentro e fora delas, na dinâmica da segurança pública em Mato Grosso do Sul. A falta de informações detalhadas sobre alguns dos procurados, como Ronald Alves Cordeiro, abre espaço para especulações e reforça a necessidade de transparência por parte das instituições, sem comprometer o andamento das investigações.

