Inclusão na Lista Vermelha da Interpol: O Rastro de um Foragido
O ex-deputado estadual Neno Razuk (PL) está prestes a ter seu nome adicionado à lista de difusão vermelha da Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal. A medida, que visa à localização e detenção do político, se estende a 196 países, sinalizando a gravidade das acusações que pesam contra ele.
A prisão preventiva de Razuk foi decretada em julho de 2026, no contexto de investigações sobre o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. O pedido para sua inclusão na lista internacional partiu do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), um órgão fundamental na fiscalização e combate à criminalidade na região.
A defesa do ex-deputado alega ainda não ter sido intimada da decisão judicial. A responsabilidade de formalizar o pedido de inclusão no sistema da Interpol recai sobre a Polícia Federal (PF). Desde a decretação de sua prisão, o paradeiro de Neno Razuk é desconhecido, levantando especulações sobre uma possível fuga para o exterior.
Operação Successione: Desvendando a Rede do Jogo do Bicho em Campo Grande
A situação de Neno Razuk está intrinsecamente ligada à Operação Successione, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MPMS em dezembro de 2023. A operação desmantelou uma organização criminosa supostamente envolvida na exploração do jogo do bicho em Campo Grande, a capital do estado.
A ação teve início após uma série de roubos de malotes relacionados à atividade, com relatos de reconhecimento de um sargento da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul como um dos autores. Na época, Neno Razuk, então deputado estadual, declarou surpresa com a acusação e confiante de que sua inocência seria comprovada.
As investigações do Gaeco apontam para uma atuação violenta da organização para consolidar seu domínio, mesmo após apreensões anteriores, como a de 700 máquinas do jogo do bicho em um centro de operações no bairro Monte Castelo. A estrutura criminosa, segundo apurações, contaria com a participação de policiais militares da reserva e de um ex-policial, que utilizariam de sua condição, incluindo o porte de arma, para impor controle sobre a exploração ilegal.
A Operação Successione se desdobrou em diversas fases. Em dezembro de 2023, a segunda fase cumpriu 12 mandados de prisão preventiva e quatro de busca e apreensão. Em janeiro de 2024, uma terceira fase resultou no cumprimento de dois mandados de prisão preventiva e um de busca e apreensão, com um dos detidos utilizando nomes de autoridades estaduais para aplicar golpes.
A quarta etapa, realizada em novembro de 2025, expandiu o alcance da operação para além de Campo Grande, com mandados cumpridos em Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã, além de investigações em outros estados. Nesta fase, além de Neno Razuk, foram alvos seus familiares: o pai, Roberto Razuk, e os irmãos Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto. Neno é apontado como o líder da organização criminosa.
As investigações conectam a atual estrutura do jogo do bicho a figuras históricas do crime organizado em Mato Grosso do Sul. Roberto Razuk foi identificado como antigo chefe da operação na região sul do estado, sucedendo Fahd Jamil, que teria dividido o controle da atividade em duas frentes: uma em Campo Grande, sob o comando de Jamil Name, e outra nas regiões de Dourados e Ponta Porã, liderada por Roberto Razuk. A influência de Fahd Jamil, mesmo após seu afastamento, é um ponto de interesse a ser aprofundado nas análises futuras sobre a criminalidade regional.

