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Preso em Campo Grande, Marcinho VP recebe roteiro de filme baseado em obra literária

Um roteiro cinematográfico inspirado em uma das obras literárias de Márcio dos Santos Nepomuceno, mundialmente conhecido como Marcinho VP, foi entregue a ele na Penitenciária Federal de Campo Grande. Nepomuceno, apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho, recebeu o material em versão impressa, uma vez que equipamentos eletrônicos são proibidos na unidade prisional de segurança máxima.

Detalhes sobre o Roteiro e Produção

As duas páginas do roteiro, identificadas como uma minuta de “Prisioneiro de Guerra”, foram autorizadas pela direção da Penitenciária Federal após análise constatar que o conteúdo não continha informações sigilosas ou sensíveis. A liberação, contudo, não abrangeu cópias de relatórios que fundamentam a permanência de Marcinho VP no sistema penitenciário federal. Até o momento, não foram divulgados os nomes dos responsáveis pela produção ou direção do filme, nem há informações sobre cronograma, elenco ou previsão para o início das gravações.

Este episódio insere o detento em um contexto de figuras com obras adaptadas para plataformas de streaming, como as produções sobre Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga pela Netflix.

Obra Literária e Contexto Prisional

A obra a que o roteiro faz referência deve se basear em um dos quatro livros publicados por Marcinho VP durante seu período de encarceramento. Entre eles está “Preso de Guerra: Um Romance que Resistiu à Ditadura e à Dor do Cárcere”, lançado em 2021. O livro narra a trajetória fictícia de João Grandão, um homem procurado pela polícia que permanece na prisão por cerca de três décadas. A narrativa aborda elementos de romance, encarceramento, isolamento, violência e perdas pessoais, estabelecendo paralelos entre práticas do sistema penitenciário e métodos da ditadura militar, além de criticar a execução penal e as condições do sistema carcerário brasileiro.

Marcinho VP está preso desde 1996 e no sistema federal desde 2007. Ao todo, suas condenações somam 55 anos e oito meses de prisão. Além de “Preso de Guerra”, ele é autor de “Verdades e Posições: O Direito Penal do Inimigo” (2017), “Execução Penal Banal Comentada” (2023) e “A Cor da Lei” (2025). Ele permanece custodiado na unidade federal de Campo Grande, destinada a presos classificados como de alta periculosidade.

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