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Queima Prescrita no Pevri: Governo de MS Adota Fogo Controlado como Escudo Contra Incêndios Florestais

Destaques:

  • Técnica de queima prescrita (Manejo Integrado do Fogo – MIF) é aplicada no Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (Pevri) como medida preventiva contra incêndios florestais.
  • Ação visa controlar o acúmulo de biomassa, reduzir riscos de fogo de grandes proporções e fortalecer a capacidade de resposta do Corpo de Bombeiros em Mato Grosso do Sul.
  • O fenômeno El Niño é apontado como fator de risco que intensifica a probabilidade de incêndios nos biomas do estado, justificando o planejamento estratégico do governo.

Em uma atuação que busca antecipar e mitigar os severos impactos dos incêndios florestais em Mato Grosso do Sul, o Corpo de Bombeiros tem empregado a técnica de queima prescrita em áreas estratégicas. Recentemente, o Parque Estadual das Várzeas do Rio Ivinhema (Pevri), localizado na Bacia do Rio Paraná, foi palco dessa operação, conhecida como Manejo Integrado do Fogo (MIF). A iniciativa se insere em um contexto mais amplo de preservação ambiental e segurança pública, visando a consolidação de um trabalho preventivo em todos os biomas sul-mato-grossenses.

A Lógica do Fogo Controlado na Conservação

A queima prescrita, longe de ser uma ação aleatória, é uma ferramenta técnica rigorosamente planejada. Sua execução no Pevri, que se estendeu por quatro dias, entre 1º e 4 de maio, demonstra a prioridade dada à gestão de riscos. O objetivo central é o controle da biomassa acumulada, ou seja, a matéria orgânica vegetal que, em períodos de seca, pode se tornar combustível para incêndios de proporções incontroláveis. Ao realizar o fogo de forma lenta e controlada, em momentos e condições específicas, a técnica permite a remoção do excesso de material, preservando a estrutura essencial da vegetação e o equilíbrio ecológico.

Essa abordagem proativa tem se mostrado eficiente na mitigação de incêndios, especialmente quando combinada com outras ações como a abertura de aceiros, que funcionam como barreiras de contenção. Para além da prevenção, o MIF contribui para a eliminação de espécies exóticas invasoras e fomenta a regeneração de espécies nativas, fortalecendo a resiliência dos ecossistemas locais. Em áreas de conservação como o Pevri, a prática é vital para a proteção da biodiversidade e para a manutenção das florestas nativas, que possuem maior sensibilidade ao fogo descontrolado.

O Fantasma do El Niño e a Resposta do Estado

O planejamento para a queima prescrita considerou, de forma proeminente, a influência do fenômeno climático El Niño em Mato Grosso do Sul. As projeções indicam uma intensificação nas ocorrências de incêndios florestais, afetando biomas como o Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal. O El Niño altera os regimes de chuva, os padrões de temperatura e a dinâmica dos ventos, criando um cenário de alta propensão ao fogo, cujos efeitos podem se estender durante o inverno e além. Diante dessa perspectiva, o Estado tem investido em uma estrutura de resposta ágil e em um planejamento estratégico que inclui ações de prevenção e combate.

A atuação no Pevri contou com o envolvimento de equipes do Corpo de Bombeiros, munidas de viaturas especializadas, e do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), órgão responsável pela gestão do parque. O uso de geotecnologias, incluindo drones equipados com sensores infravermelhos e câmeras térmicas, foi fundamental para o mapeamento detalhado da área e o monitoramento contínuo, inclusive durante a noite. A queima foi iniciada em condições climáticas favoráveis, com temperaturas em torno de 30 °C, e observada até que o aumento da umidade e a formação de orvalho naturalmente extinguissem as chamas, mantendo as equipes em alerta.

Reflexões sobre a Gestão do Fogo e a Sustentabilidade

O trabalho de queima prescrita no Pevri, com seus 73,3 mil hectares distribuídos entre os municípios de Taquarussu, Naviraí e Jateí, é um exemplo da aplicação do Manejo Integrado do Fogo em unidades de conservação do bioma Mata Atlântica. A metodologia já foi aplicada em outras regiões do estado, como no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, em 2023, onde o objetivo era mitigar os efeitos de possíveis incêndios, protegendo a fauna, a flora e propriedades adjacentes.

A questão que se impõe é: em um estado com a extensão territorial e a diversidade de biomas de Mato Grosso do Sul, e diante de um cenário climático cada vez mais imprevisível, a queima prescrita se consolida como a única ou a principal estratégia de prevenção? Qual o investimento em tecnologias complementares e em ações de conscientização que vão além do controle físico da biomassa? A adoção do MIF é um passo fundamental, mas a continuidade e a ampliação dessas ações, associadas a um olhar crítico sobre os fatores socioeconômicos e ambientais que levam a situações de risco, são cruciais para a garantia da conservação a longo prazo em Mato Grosso do Sul.

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