InícioGeralMarinha prepara mapeamento de áreas de interesse em MS para 2027

Marinha prepara mapeamento de áreas de interesse em MS para 2027

Destaques:

  • Marinha do Brasil planeja mapear áreas estratégicas em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso até 2027.
  • O trabalho visa o desenvolvimento do SisGAAz, sistema de gerenciamento da Amazônia Azul.
  • Localidades como Porto Murtinho, Corumbá e a Tríplice Fronteira estão entre as áreas de interesse.

A Marinha do Brasil está em processo de elaboração de uma consulta operacional para 2027. O objetivo é mapear áreas estratégicas em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, subsidiando o desenvolvimento do SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul). Este trabalho prevê a identificação dessas áreas, o levantamento dos requisitos de monitoramento para diferentes tipos de ameaças e a avaliação das soluções tecnológicas mais adequadas para cada cenário.

A informação foi revelada em um seminário no Bioparque Pantanal, em Campo Grande, com a apresentação conduzida pelo Capitão de Mar e Guerra José Marcelo Camelo, gerente de Projetos da DGePM (Diretoria de Gestão de Programas da Marinha). A consulta operacional integra os trabalhos em andamento do SisGAAz e orientará o planejamento das ações do sistema na área de atuação do 6º Distrito Naval, responsável por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Mapeamento Estratégico no Coração do Brasil

A criação de uma consulta operacional para 2027 permitirá identificar as áreas de interesse nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O trabalho inclui mapear os requisitos de monitoramento conforme os diferentes tipos de ameaças e avaliar quais soluções tecnológicas poderão atender a cada cenário. Um mapa foi apresentado com exemplos de localidades distribuídas ao longo da bacia do Rio Paraguai, abrangendo Porto Murtinho, Barranco Branco, Forte Coimbra, Porto Esperança, Porto Morrinho, Canal do Tamengo, Corumbá e a região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Bolívia e Paraguai.

Importante ressaltar que esta etapa não define a instalação imediata de equipamentos ou sensores nesses locais. O foco é compreender as características operacionais de cada área para, posteriormente, avaliar as tecnologias que poderão atender às necessidades de monitoramento identificadas.

O Que é o SisGAAz? Entenda o Sistema

O SisGAAz foi concebido para ampliar a consciência situacional da Marinha sobre as Águas Jurisdicionais Brasileiras. O sistema integra informações de diferentes plataformas e sensores, permitindo perceber o que ocorre em determinada área, compreender a situação e projetar cenários para apoiar a tomada de decisão.

Essa estrutura compreende sistemas como o Sistram (Sistema de Informações sobre o Tráfego Marítimo), o AIS (Sistema de Identificação Automática de Embarcações), o LRIT (Long Range Identification and Tracking), além de sistemas de monitoramento de plataformas de petróleo, radares, sensores eletro-ópticos e dados compartilhados por instituições nacionais e parceiros internacionais.

O SisGAAz também reúne dados meteorológicos, oceanográficos, ambientais e operacionais. Essas informações são cruciais para apoiar atividades como segurança da navegação, inspeção naval, fiscalização ambiental, busca e salvamento, defesa civil e proteção de infraestruturas estratégicas.

Economia Azul e o Impacto Regional

A dimensão econômica das Águas Jurisdicionais Brasileiras, conhecida como Amazônia Azul, é estratégica. A área abrange aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados. O Brasil também é responsável por uma área de SAR (Busca e Salvamento) de cerca de 14,5 milhões de quilômetros quadrados e possui aproximadamente 60 mil quilômetros de vias navegáveis interiores.

Cerca de 95% da produção nacional de petróleo, 70% da produção de gás natural e 95% do comércio exterior brasileiro dependem do ambiente marítimo. A chamada Economia Azul representa aproximadamente 19,4% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, envolve 17 estados, corresponde a cerca de 63% do território nacional e está relacionada a aproximadamente 25% dos empregos no Brasil.

O desenvolvimento do SisGAAz depende de uma integração robusta entre instituições públicas, universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo. Essa cooperação é fundamental para ampliar a capacidade de monitoramento, compartilhar informações e aumentar a efetividade das ações nas áreas sob responsabilidade da Marinha.

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