O jornalista e escritor Pedro Bial levantou um debate sobre o futuro da literatura e o impacto da inteligência artificial durante a 10ª Feira Literária de Bonito (FLIB). Sua análise aponta para um cenário futuro com menos leitores e escritores, demandando união da comunidade literária.
“Estamos caminhando para um mundo sem leitores e também sem escritores”, declarou Bial, destacando a capacidade da IA de produzir textos. Para ele, isso pode diminuir a necessidade da escrita para muitas pessoas. “Você não precisa mais escrever. Pede para a inteligência artificial escrever”, comentou, prevendo que apenas aqueles com a escrita como ofício a utilizarão intensamente.
A resistência do nicho literário
Apesar do cenário, Bial não adota um tom pessimista. Ele reconhece que leitores e escritores formam um nicho, mas enfatiza a importância de se organizar e afirmar essa identidade. “Se somos poucos, seremos poucos, mas seremos”, garantiu.
O paradoxo brasileiro e a leitura digital
O apresentador também comentou um aparente paradoxo no Brasil: a coexistência de baixos índices de leitura com feiras literárias que atraem grande público. “Que país é esse? É o país que não lê ou é o país que lota feiras de literatura?”, questionou.
Bial observou que, mesmo com a concorrência de redes sociais e vídeos, as pessoas dedicam tempo à leitura no ambiente digital. “As pessoas passam muito tempo na internet. É verdade que hoje há muito vídeo, mas também se lê muito e se escreve muito nas redes”, ponderou.
Participar de uma feira literária, segundo Bial, é sempre um incentivo. Ele se disse feliz ao encontrar pessoas que leram seus livros. Sua trajetória entre reportagem e literatura é vista como um diálogo constante, onde o escritor busca interpretar o mundo e o jornalista foca na notícia direta.
A FLIB continua em Bonito até domingo (12), com entrada gratuita.

