- A complexidade de Vespasiano Barbosa Martins, ex-prefeito e governador, desafia a interpretação no filme ‘Lydia’.
- O longa resgata a trajetória de uma figura central na luta pela criação de Mato Grosso do Sul, oferecendo novas perspectivas.
- A megaprodução cinematográfica destaca o potencial do cinema sul-mato-grossense, unindo talentos locais e nacionais.
Campo Grande (MS) torna-se cenário de uma produção cinematográfica de grande porte, ‘Lydia’, que mergulha na vida da pintora e compositora Lídia Baís. O elenco, que conta com diversos artistas regionais, inclui o ator Tero Queiroz, encarregado de dar vida a Vespasiano Barbosa Martins, uma figura política de relevância histórica para Mato Grosso do Sul, tendo atuado como ex-prefeito de Campo Grande e governador de Mato Grosso.
A Complexidade do Personagem e o Desafio da Interpretação
A representação de Vespasiano Barbosa Martins no longa-metragem, que concluiu suas filmagens em maio deste ano, é descrita como um desafio significativo para o ator. A figura de Vespasiano era singular para sua época, um homem que, embora seguisse os ritos sociais e políticos, não era um indivíduo ‘quadradão’. Essa particularidade o torna um personagem desafiador, por sua postura descolada para os padrões da época, sem contudo escancarar sua subversividade.
Vespasiano Barbosa Martins nasceu em Sidrolândia em 1889. Após estudar medicina no Rio de Janeiro, retornou a Campo Grande para exercer as profissões de ginecologista e cirurgião. Sua entrada na política o transformou em um ator central na articulação pela divisão do antigo estado de Mato Grosso e na subsequente criação de Mato Grosso do Sul. Sua trajetória política abrangeu três mandatos como prefeito de Campo Grande, além de passagens como senador, deputado federal e governador de Mato Grosso. Ele foi um dos articuladores do movimento pela criação do Estado de Maracaju, em 1932, um precursor fundamental para a fundação de MS. No enredo do filme ‘Lydia’, sua aparição se justifica pelo parentesco, sendo cunhado da protagonista Lídia Baís, casado com sua irmã Celina.
A interpretação de um político que era ao mesmo tempo agradável e obstinado na concretização de Mato Grosso do Sul exige um trabalho minucioso. O ator enfatizou o empenho dos preparadores Monique Paes e Joel Yamaji, que foram cruciais na transformação de um ‘corpo do campo em um corpo de época’, descrevendo o processo como uma metamorfose em mutação.
O Filme ‘Lydia’: Um Marco para o Cinema Sul-Mato-Grossense
A produção ‘Lydia’ é protagonizada por Beatrice Sayd e conta com um elenco expressivo, incluindo nomes como Ney Matogrosso, Duda Mamberti, Alzira E, Ana Brun, Jéssica Barbosa Cauim, Zahy Tentehar, Ambrosio Vilhalva, Maria Alice, Breno Moroni, Gisele Sater, Renan Braga, Giovanna Zotino, Fábio Umeda, Pâmela Yule, Jorge Aluvaiá, Bianca Machado, Leandro Marques e Gabriel Brito. A magnitude do projeto e a qualidade da equipe envolvida sugerem um momento de ascensão para o cinema de Mato Grosso do Sul.
A produção é encarada como uma megaprodução, reunindo profissionais de destaque do cinema brasileiro. Entre eles, o diretor de fotografia Alziro Barbosa, e a sul-mato-grossense Carol Araújo. A chefe de caracterização, Valéria Toth, com uma carreira de mais de 20 anos e experiência em projetos renomados como a novela Pantanal (2022), e a chefe do departamento de figurino, Mariana Sued, integram a equipe. A colaboração entre esses profissionais experientes e a maioria de profissionais locais na equipe do filme demonstra um intercâmbio valioso e o fortalecimento da expertise regional. Essa interação levanta questionamentos sobre como tais produções podem não apenas preservar a memória local, mas também catalisar o desenvolvimento da indústria cinematográfica em Mato Grosso do Sul, impulsionando novos talentos e narrativas regionais para o cenário nacional.

