O varejo de Mato Grosso do Sul exibe um crescimento robusto, superando a média nacional em três vezes. No período de janeiro a abril de 2026, o setor ampliado registrou alta de 5,4%, enquanto o Brasil acumulou apenas 1,8%. O desempenho sul-mato-grossense reflete um mercado de trabalho aquecido, forte expansão industrial e bom desempenho das exportações.
Destaques:
- Varejo ampliado de MS cresce 5,4% contra 1,8% no Brasil no 1º quadrimestre de 2026.
- Inflação em Campo Grande avança para 4,3% em maio, impulsionada por alimentos e combustíveis.
- Setor de comércio registra saldo negativo de 517 vagas de emprego no período, em contramão ao crescimento das vendas.
Apesar do otimismo, o cenário econômico aponta para desafios. A inflação volta a pressionar, especialmente com alta de 1,31% em Campo Grande em maio, motivada principalmente por alimentação e bebidas. O setor de vestuário também lidera aumentos acumulados em 12 meses. Essa elevação dos preços pode comprometer o poder de compra das famílias e o ritmo do consumo.
Outro ponto de atenção é o mercado de trabalho no comércio. Enquanto Mato Grosso do Sul gerou 14.527 empregos formais entre janeiro e abril, o setor varejista acumulou um saldo negativo de 517 vagas. Em Campo Grande, a perda de postos de trabalho no comércio chegou a 566 no mesmo período.
Indústria em Alta
A indústria sul-mato-grossense é o grande destaque, com crescimento de 8% na produção entre janeiro e abril, quase cinco vezes superior à média nacional (1,7%). O setor de serviços, contudo, mostra desaceleração, com alta de apenas 0,4%.
Agro e Exportações
A expectativa para o Valor Bruto da Produção agropecuária foi revisada, mas o cenário esperado para o estado (0,7%) ainda supera a projeção nacional de retração (-4,6%). As exportações seguem sustentando a economia, com crescimento de 8,6% entre janeiro e maio, totalizando US$ 4,7 bilhões. Soja, carne bovina e celulose lideram as vendas externas.
Crédito e Inadimplência
A expansão do crédito desacelera, enquanto a inadimplência preocupa. Financiamentos para pessoas físicas cresceram 6,9% e para empresas 14,4% em abril. No entanto, a taxa de inadimplência alcançou 7% para consumidores e 4,3% para empresas.
Os indicadores revelam uma economia aquecida, mas exigem atenção com a inflação, a geração de empregos no varejo e a manutenção do ritmo de crescimento em um cenário econômico complexo.

