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Frentes Parlamentares Firmam Pacto AgroLogístico: O Que Esperar para o Mato Grosso do Sul?

Destaques:

  • Frentes Parlamentares da Agropecuária (FPA) e de Portos e Aeroportos (FPPA) assinaram a Carta de Compromissos do Movimento AgroPorto.
  • O acordo visa fortalecer a infraestrutura logística nacional com foco em acesso portuário, integração multimodal e segurança jurídica para investimentos.
  • O movimento surge em um cenário de investimento em infraestrutura abaixo do ideal no Brasil, gerando custos significativos para o agronegócio.

O Pacto AgroPorto: Um Grito por Eficiência Logística

A assinatura da Carta de Compromissos do Movimento AgroPorto, um pacto suprapartidário entre a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos (FPPA), representa um marco na busca por soluções para os entraves logísticos que historicamente afetam o setor produtivo brasileiro. O documento, selado em Curitiba, delineia um roteiro para o fortalecimento da infraestrutura logística do país, abordando pontos cruciais como a otimização dos acessos aos portos, a promoção da integração multimodal – combinando diferentes modais de transporte –, a garantia de segurança jurídica para atrair capital e a modernização dos processos de licenciamento ambiental e expansão da capacidade portuária.

A ambição declarada é consolidar a infraestrutura como uma política de Estado, pautada pelo planejamento de longo prazo e pela previsibilidade, elementos essenciais para catalisar investimentos, tanto públicos quanto privados. Até as eleições de 2026, o movimento propõe uma série de ações estratégicas, incluindo a formulação de uma “Agenda Brasil para a Infraestrutura”, a expansão da coalizão para envolver novas frentes parlamentares e setores produtivos, a apresentação das propostas aos candidatos à Presidência da República, e o desenvolvimento conjunto de soluções técnicas viáveis com a participação de especialistas e entidades setoriais. A iniciativa emerge em um momento em que o Brasil se vê diante de um desafio estrutural: o baixo investimento em infraestrutura, que impacta diretamente a competitividade do agronegócio, espinha dorsal da economia de estados como Mato Grosso do Sul.

Gargalos Históricos e o Preço da Ineficiência Logística para Mato Grosso do Sul

A infraestrutura logística brasileira tem sido um gargalo crônico, e Mato Grosso do Sul, um estado com forte vocação agropecuária e grande contribuição para a produção nacional, sente diretamente as consequências dessa deficiência. O país investe anualmente cerca de 2% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, um percentual consideravelmente inferior aos 4,5% considerados essenciais por especialistas para sustentar um crescimento econômico robusto. Essa carência de investimentos se traduz em custos adicionais e perdas significativas para os produtores.

Levantamentos indicam que a dependência excessiva do modal rodoviário, muitas vezes em detrimento de opções mais eficientes como ferrovias e hidrovias, gera prejuízos bilionários. Em 2026, estima-se que o Brasil acumulará R$ 3,3 bilhões em custos extras apenas por utilizar rodovias em trajetos que poderiam ser cobertos por ferrovias, como em corredores logísticos essenciais para o escoamento da produção do Centro-Oeste. Essa ineficiência se manifesta em perdas diárias na ordem de R$ 106 por segundo, um montante que, no contexto de Mato Grosso do Sul, representa a diferença entre a rentabilidade e a dificuldade de inserção competitiva no mercado global. Os produtores sul-mato-grossenses frequentemente enfrentam desafios com o transporte de grãos, carnes e outros insumos, arcando com custos elevados para chegar aos portos ou centros de distribuição, impactando diretamente sua margem de lucro e a capacidade de competir com produtores de outras regiões ou países.

A Implementação em Mato Grosso do Sul: Desafios e Questionamentos

A assinatura da Carta de Compromissos do Movimento AgroPorto levanta importantes questionamentos para a realidade de Mato Grosso do Sul. Como as diretrizes estabelecidas pelo acordo se traduzirão em ações concretas para o estado? A integração multimodal, por exemplo, é uma necessidade premente para otimizar o transporte de soja, milho e carne sul-mato-grossense, que hoje dependem majoritariamente de longos e custosos deslocamentos rodoviários até os portos. A expansão e modernização da infraestrutura portuária, embora distantes geograficamente, são cruciais para reduzir os custos de exportação e aumentar a competitividade dos produtos locais no mercado internacional. A viabilização de projetos como a Ferrogrão e a EF-118, mencionados no contexto geral, poderia representar um divisor de águas para a região, conectando as cadebras produtivas do Centro-Oeste a importantes rotas comerciais.

A segurança jurídica para investimentos e a agilidade no licenciamento ambiental são, igualmente, pontos de atenção. Investimentos em infraestrutura logística, como a construção de ferrovias, terminais ou melhorias em hidrovias, demandam um ambiente regulatório estável e previsível. Para Mato Grosso do Sul, a promessa de uma infraestrutura como política de Estado precisa se materializar em projetos regionais que atendam às especificidades e demandas do setor produtivo local. Será que as metas estabelecidas até 2026 serão suficientes para reverter décadas de subinvestimento? E como o estado, com sua força agropecuária, se posicionará ativamente para garantir que suas necessidades logísticas sejam contempladas nas agendas nacionais?

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