Destaques:
- Mato Grosso do Sul mantém estabilidade nos índices de obesidade infantil entre 2021 e 2025.
- Acompanhamento regular nas unidades de saúde e a Caderneta da Criança são ferramentas cruciais na prevenção.
- Mudanças no estilo de vida, como sedentarismo e acesso a ultraprocessados, contribuem para o problema.
O Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil chama a atenção para um problema de saúde que impacta o desenvolvimento de crianças em todo o país. Fatores como alimentação inadequada, redução da atividade física e aumento de comportamentos sedentários elevam o risco de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, além de comprometer a qualidade de vida. Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce como estratégias fundamentais.
Obesidade Infantil: Um Alerta Constante
O problema da obesidade infantil está associado a diversos fatores. A transformação no estilo de vida das últimas décadas é um deles. Brincadeiras ao ar livre e atividades físicas espontâneas, antes comuns, deram lugar a um tempo significativo dedicado às telas. Junto a isso, o fácil acesso a alimentos ultraprocessados impacta diretamente os hábitos alimentares. Biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e bebidas açucaradas, com alta densidade calórica e baixo valor nutricional, favorecem o ganho excessivo de peso.
O ambiente atual dificulta escolhas saudáveis. Há um aumento no acesso a alimentos ultraprocessados e o encarecimento de alimentos in natura e minimamente processados. Somados a comportamentos cada vez mais sedentários, esses fatores compõem um ‘ambiente obesogênico’, que favorece o desenvolvimento da obesidade. Este conceito inclui fenômenos como os desertos alimentares, que são locais com pouca oferta de alimentos saudáveis, e os pântanos alimentares, caracterizados pela grande disponibilidade de produtos ultraprocessados. A redução de espaços urbanos para a prática de atividades físicas também contribui para o cenário.
A Vigilância Nutricional como Pilar
Identificar e prevenir a obesidade infantil começa com o acompanhamento regular do crescimento e desenvolvimento nas unidades básicas de saúde. Uma avaliação antropométrica simples, com aferição de peso e altura, permite aos profissionais identificar o estado nutricional da criança e monitorar alterações. Essas informações são registradas na Caderneta da Criança, uma ferramenta fundamental para acompanhar a curva de crescimento e detectar precocemente sobrepeso e obesidade. Com essas identificações, as equipes de saúde podem iniciar orientações e intervenções.
O papel da família é crucial nesse processo. Levar a criança regularmente à unidade de saúde permite monitorar seu crescimento e desenvolvimento, identificando precocemente qualquer alteração nutricional. Quanto mais cedo essa identificação ocorre, maiores são as possibilidades de promover mudanças que favoreçam a saúde.
A prevenção se inicia nos primeiros anos de vida. Recomenda-se que não seja ofertado açúcar para crianças menores de 2 anos. O aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado, de forma complementar, até os dois anos ou mais, é reconhecido como importante fator de proteção contra a obesidade infantil. Crianças aprendem por observação. Famílias que consomem frutas, verduras e legumes regularmente, preparam refeições em casa e valorizam alimentos in natura, contribuem para a formação de hábitos saudáveis. Incluir os pequenos no preparo dos alimentos também fortalece essa relação positiva com a alimentação.
Ações e Resultados em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, os índices de obesidade entre crianças de 0 a 5 anos permaneceram estáveis entre 2021 e 2025, com média de 4,92% no período. Em 2021, o percentual foi de 5,90%; em 2022, 4,75%; em 2023, 4,67%; em 2024, 4,50%; e em 2025, 4,77%. Entre as crianças de 5 a 10 anos, também foi observada estabilidade, com discreta redução no percentual de obesidade, que passou de 9,49% em 2021 para 9,04% em 2025. A obesidade grave na mesma faixa etária também apresentou queda, passando de 5,76% para 5,37% no período.
Apesar da estabilidade, o monitoramento permanente é fundamental para evitar o avanço da doença. A SES integra a obesidade infantil nos temas prioritários do Programa Saúde na Escola (PSE), focando na promoção da alimentação saudável e no incentivo à atividade física. A Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN) estabelece metas para promover alimentação adequada e saudável, além de fortalecer a segurança alimentar e nutricional. Adicionalmente, a Secretaria desenvolve ações de Educação Permanente em Saúde para profissionais dos municípios, fortalece a Vigilância Alimentar e Nutricional e apoia a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB), contribuindo para a construção de hábitos mais saudáveis desde a infância.


