InícioCotidianoÍcone Restaurado da Padroeira Retorna a Campo Grande Após 3 Meses

Ícone Restaurado da Padroeira Retorna a Campo Grande Após 3 Meses

O Ícone histórico de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira de Mato Grosso do Sul, voltou a Campo Grande neste domingo (7). Após três meses de restauração em São José dos Campos (SP), a obra sacra abriu a programação da IX Festa da Padroeira e reuniu fiéis na Plataforma Cultural, antiga estação ferroviária da Capital.

Destaques:

  • Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro retornou a Campo Grande após restauração de três meses.
  • A chegada marcou o início da IX Festa da Padroeira, com cerimônia na histórica Plataforma Cultural.
  • A obra sacra, datada de 1930, precisou de restauro devido à oxidação em sua chapa de ferro.

O Retorno Celebrado e a História Viva

A escolha da Plataforma Cultural não foi acaso. Pela ferrovia, na década de 1930, chegaram os Missionários Redentoristas, difundindo a devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro na região.

A programação foi intensa. Começou com uma exposição histórica no local, seguiu com a apresentação oficial da imagem restaurada e culminou em uma carreata até o Santuário Estadual Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde ocorreu a missa de acolhida e entronização.

O retorno ganha significado especial no ano em que a Congregação Redentorista celebra 160 anos desde que o Papa Pio IX lhes confiou a missão de cuidar do ícone. A imagem chegou a Campo Grande em 1930, consolidando-se na paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em 1939.

A Restauração Necessária de um Símbolo de Fé

Com 87 anos desde sua chegada, o ícone, pintado em chapa de ferro, apresentava sinais de oxidação. Foi retirado em março para um trabalho de restauração artística e conservativa. Décadas de destaque no altar da igreja resultaram em escurecimento das cores e marcas do tempo.

O minucioso trabalho ficou a cargo da conservadora-restauradora Silvia Regina Karps, especialista em Espaço Litúrgico, Arquitetura e Arte Sacra. Moradora de São José dos Campos (SP), ela acumula 20 anos de experiência em restauração. A indicação para o trabalho ocorreu com orientação da PUC-PR.

O ícone é mais que uma peça religiosa; é parte essencial da rotina de milhares de fiéis. O Santuário Estadual Nossa Senhora do Perpétuo Socorro atrai entre 25 mil e 30 mil pessoas às quartas-feiras, dia tradicional das novenas. A Mãe do Perpétuo Socorro possui importância fundamental na experiência comunitária e na religiosidade popular de Campo Grande.

Conectando Passado, Presente e Devoção Familiar

A antiga estação ferroviária transformou o retorno em uma reconstrução simbólica da chegada dos redentoristas. A ferrovia guarda uma parte significativa da memória afetiva da Capital. O local foi porta de entrada para imigrantes palestinos, libaneses, japoneses e brasileiros que buscavam novas oportunidades.

A celebração também tocou os fiéis presentes. Eres Figueira, de 35 anos, e Kamila Figueira, de 31, compartilham uma devoção que se entrelaça com a história familiar. O casal se conheceu, casou e batizou o filho no Perpétuo Socorro. Para eles, ver o ícone restaurado retornar pelo mesmo espaço ligado à chegada da devoção reforça o sentido da fé.

Kamila destaca o caráter familiar da celebração, um momento de reunir a família em prol de Nossa Senhora.

A exposição na Plataforma Cultural reuniu objetos, documentos e fotografias da estação ferroviária e da presença redentorista em Campo Grande, unindo história e memória. A devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro sempre esteve ligada à atuação dos missionários redentoristas. O ícone desembarcou ali 87 anos atrás, tornando o local ideal para seu retorno.

Entre os itens expostos estavam fotos dos pioneiros da Congregação do Santíssimo Redentor, objetos religiosos antigos, além do primeiro cálice e da primeira patena da Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, criada em 1939 e inaugurada em 1941. Os padres Francis More e Alphonse Hilt foram destacados como pioneiros da presença redentorista em Mato Grosso do Sul.

A celebração contou com o apoio da Fundação Municipal de Cultura de Campo Grande e do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em Mato Grosso do Sul.

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