A pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, falecida em um acidente aéreo há treze dias, terá sua cremação realizada nesta quinta-feira (16) em Campo Grande. A cerimônia ocorrerá no Crematório de Campo Grande, situado na Avenida Tamandaré, com os serviços prestados pela funerária Pró-Vida.
A cremação encerra um período de espera de quase duas semanas desde o acidente que vitimou a cientista de 45 anos. Lydia faleceu na manhã de 3 de julho, após a aeronave em que viajava cair logo após decolar do Aeródromo Estância Santa Maria, na Capital. O piloto, Henrique Martin de Carvalho, também perdeu a vida na ocasião.
A aeronave tinha como destino a Fazenda Barranco Alto, em Aquidauana, um dos locais centrais para as pesquisas desenvolvidas pela cientista no Pantanal. O avião, um bimotor Neiva EMB-810D Seneca, fabricado em 1983, perdeu o controle durante a fase inicial de subida, vindo a atingir uma área de vegetação próxima ao aeródromo. A aeronave sofreu destruição completa.
A investigação sobre a causa da queda está em andamento. Um relatório preliminar indicou a ocorrência como perda de controle em voo, descrevendo a dinâmica do acidente sem, contudo, esclarecer o fator determinante. Análises iniciais consideram condições meteorológicas e baixa visibilidade devido à neblina como possíveis contribuintes. O voo, inicialmente previsto para cerca das 5h, teria sido adiado e decolou por volta das 6h20. O aeródromo operava com habilitação para voos visuais, enquanto a aeronave possuía autorização para voos por instrumentos. No entanto, não há confirmação de que o mau tempo tenha sido o gatilho para o acidente. Devido à ausência de caixa-preta no modelo da aeronave, a investigação se apoia na análise de destroços, registros de manutenção, condições climáticas, dados de GPS e depoimentos.
Lydia Theresia Möcklinghoff, zoóloga, ecóloga tropical, bióloga comportamental e jornalista científica, dedicou parte significativa de sua carreira a Mato Grosso do Sul. Possuía mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburgo e cursava doutorado na Universidade de Bonn, na Alemanha. Sua atuação no Pantanal estendia-se por mais de duas décadas, com chegada à Fazenda Barranco Alto em 2009. Ao longo de aproximadamente 16 anos, ela coletou dados sobre a ecologia e o comportamento do tamanduá-bandeira, foco de sua pesquisa científica. O trabalho incluía também o monitoramento da biodiversidade e o registro de outros animais do bioma, como onças-pintadas, araras-azuis, ariranhas e pumas. Sua atuação na divulgação científica resultou em livros, reportagens e palestras direcionados a um público mais amplo.
Exemplares de uma de suas obras sobre o Pantanal foram recuperados entre os destroços da aeronave. O falecimento da pesquisadora gerou manifestações de instituições ambientais, propriedades rurais e organizações voltadas à ciência e à preservação do Pantanal. Colegas ressaltaram sua contribuição para o conhecimento sobre o tamanduá-bandeira e a conservação do bioma. Foi divulgada uma campanha internacional para arrecadar fundos para projetos de pesquisa, proteção da biodiversidade e divulgação científica em sua memória, embora os detalhes sobre a aplicação dos recursos ainda não tenham sido totalmente definidos.

