Destaques:
- Nova tarifa de 12,5% dos EUA entra em vigor, mas impacto em MS é limitado.
- 95,34% do valor exportado por Mato Grosso do Sul aos EUA permanecerá livre da cobrança.
- Sebo, tilápia e couro estão entre os produtos sul-mato-grossenses sujeitos à nova sobretaxa.
A nova tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já está em vigor, mas terá impacto limitado sobre as exportações de Mato Grosso do Sul. Um levantamento indica que 95,34% do valor exportado pelo estado ao mercado norte-americano entre janeiro e junho deste ano permanecerá livre da nova cobrança.
No primeiro semestre, Mato Grosso do Sul exportou US$ 371,02 milhões aos Estados Unidos. Desse total, US$ 353,74 milhões correspondem a mercadorias incluídas nas listas de isenção divulgadas pelo governo americano. Apenas US$ 17,28 milhões, o equivalente a 4,66% das vendas, estarão sujeitos à tarifa adicional. Em volume, 97,66% do que o estado enviou ao mercado americano permanece isento.
A medida dos EUA foi uma resposta a investigações sobre políticas de países para impedir o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A tarifa adicional de 12,5% se aplica a produtos originários desses países, mas uma ampla relação de exceções foi publicada para mercadorias consideradas estratégicas ou com oferta doméstica insuficiente.
Esta é a segunda medida tarifária anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros em menos de duas semanas. Anteriormente, uma tarifa de 25% foi confirmada, também com uma extensa lista de exceções que preservou produtos de alto valor para o estado, como carne bovina, celulose e ferro-gusa.
Especialistas avaliam que o novo tarifaço reforça a necessidade de o Brasil diversificar seus mercados internacionais para reduzir a dependência de poucos compradores e diminuir o risco de medidas unilaterais. A lista de exceções divulgada pelos EUA preservou produtos de grande peso para Mato Grosso do Sul, como carne bovina, celulose e parte da cadeia do minério de ferro, minimizando os impactos econômicos imediatos.
Os principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos, como carne bovina (congelada, fresca ou refrigerada), ferro fundido bruto, celulose e derivados de mandioca, aparecem entre as mercadorias isentas da nova cobrança. Juntos, esses produtos representam cerca de 87% de tudo o que o estado vendeu ao mercado americano no primeiro semestre.
Embora a parcela de exportações atingidas seja pequena, a tarifa concentra seus efeitos em poucos segmentos. O sebo bovino fundido é o principal produto sujeito à nova cobrança, responsável por US$ 9,81 milhões em exportações no semestre, equivalente a 56,7% de todo o valor tarifado. Filés de tilápia, couros bovinos preparados e divididos, e tilápia fresca ou refrigerada também estão na lista, somando mais de 92% do valor sujeito à nova tarifa, ao lado do sebo bovino.
O levantamento identificou 53 produtos exportados por Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos no primeiro semestre. Desses, 15 posições aparecem nas listas de exceção, enquanto 38 permanecem sujeitas à tarifa adicional. Apesar de serem menos de um terço das posições tarifárias, os produtos isentos concentram praticamente toda a receita das exportações sul-mato-grossenses para o mercado americano.

