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Resgate da Memória Cinematográfica: Cineasta de MS Busca Histórias de Cinemas de Rua

Um Chamado à Memória Afetiva: A Busca Pelos Cinemas Que Moldaram Gerações

Antes mesmo da era digital e da proliferação de serviços de streaming, as salas de cinema de rua, carinhosamente apelidadas de “cinemões antigos”, desempenhavam um papel central na vida social e cultural de Mato Grosso do Sul. Agora, a cineasta Marineti Pinheiro, através da Sonhares Filmes, lança um convite estendido a toda a comunidade sul-mato-grossense: compartilhar as memórias que marcaram época diante da antiga telona.

Esta convocatória transcende a simples coleta de relatos. É um convite para que cada indivíduo, ou suas famílias, abram o baú de lembranças e tragam à tona experiências singulares. Seja uma sessão de cinema inesquecível, o cenário de um primeiro encontro, o florescer de uma amizade, uma peculiaridade marcante ou qualquer recordação que tenha o antigo cinema de rua como pano de fundo. A iniciativa busca não apenas documentar, mas também reviver a atmosfera de convívio e lazer que esses espaços proporcionavam, preservando um acervo valioso de histórias que atravessam gerações.

O Legado de Marineti Pinheiro na Preservação da História Cinematográfica Sul-Mato-Grossense

A atual iniciativa de Marineti Pinheiro não é um ponto de partida, mas sim a continuidade de um trabalho meticuloso de pesquisa e documentação sobre a história dos cinemas no estado. Essa paixão pela memória cinematográfica já se materializou em duas publicações significativas pela Editora da UFMS:

  • “Salas de Sonhos – Histórias dos Cinemas de Campo Grande” (2008): Nesta obra, a cineasta reuniu depoimentos de personalidades que testemunharam e participaram ativamente da era de ouro dos cinemas na capital. Figuras como a professora Glorinha, o cineasta Cândido Alberto da Fonseca, o advogado e cinéfilo João José, e os irmãos Abboud e Bernardo Lahdo contribuíram com suas vivências, pintando um quadro detalhado da evolução das salas de exibição na cidade.
  • “Salas de Sonhos II – Memórias dos Cinemas de Mato Grosso do Sul” (2010): Expandindo o escopo, Marinete Pinheiro percorreu mais de 30 municípios sul-mato-grossenses, incluindo Aral Moreira, Amambai, Corumbá, Coxim e Miranda. A pesquisa desenterrou histórias de cidadãos comuns, cujas vidas foram tocadas pela experiência desses cinemas. Muitas dessas salas, que outrora foram centros de entretenimento e cultura, hoje deram lugar a outros estabelecimentos ou foram completamente apagadas da paisagem urbana, transformadas em igrejas, lojas e outros tipos de negócios.

As novas narrativas que surgirem desta convocatória se somarão a este vasto mosaico, enriquecendo a compreensão sobre o papel dos cinemas de rua como patrimônio histórico, cultural e, sobretudo, afetivo de Mato Grosso do Sul. O objetivo final é a produção de um novo livro, consolidando ainda mais o legado dessas memórias.

Um Olhar Sobre a Trajetória e Impacto da Cineasta

Marineti Pinheiro é uma figura proeminente no cenário audiovisual e cultural de Mato Grosso do Sul. Sua formação em Documentário pela Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de los Baños, em Cuba, e sua mestrado em Cinema Latino-Americano e Caribenho conferem à sua obra uma profundidade e um olhar crítico singulares. O reconhecimento da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine) em 2024, como a personalidade mais relevante do estado no campo do cinema e audiovisual, atesta a magnitude de sua contribuição.

Durante sua coordenação do Museu da Imagem e do Som de Mato Grosso do Sul (MIS-MS), entre 2015 e 2022, Marineti Pinheiro foi responsável por um robusto programa de difusão cinematográfica, exposições fotográficas e ações educativas voltadas à preservação da memória audiovisual. O projeto “MS 40 Anos em Histórias Cinematográficas”, agraciado com o Prêmio Darcy Ribeiro em 2019, exemplifica seu compromisso com a valorização da história do estado através de linguagens artísticas.

Sua filmografia, que ultrapassa os 20 títulos entre curtas, médias e longas-metragens, abrange temas diversos, sempre com um olhar voltado para as identidades e narrativas regionais. Títulos como “A Dama do Rasqueado – Delinha”, “Beth e Betinha”, e “A Campo Grande de Roberto Higa” demonstram a versatilidade e a relevância de seu trabalho.

Como diretora da Sonhares Filmes, Marineti Pinheiro continua a impulsionar projetos que mesclam cinema, audiovisual e música, além de sua atuação em festivais de cinema como o Cine Aves e o Um País Chamado Fronteira. Sua integridade e reconhecimento no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul sublinham sua dedicação à salvaguarda da memória e da cultura do estado.

Para aqueles que desejam compartilhar suas memórias, um formulário online está disponível. Mais informações podem ser obtidas através do perfil da Sonhares Filmes no Instagram ou por contato telefônico.

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