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MS: Quase Metade da Soja Sai do Estado como Commodity, Apesar de Potencial Industrial

Destaques:

  • Mato Grosso do Sul ainda exporta 43% da sua produção de soja sem processamento industrial.
  • Existe potencial para novas indústrias de esmagamento, agregando valor e fortalecendo a agroindústria estadual.
  • O Estado tem capacidade para processar mais soja internamente, reduzindo a dependência da exportação de grãos.

Mato Grosso do Sul vende quase metade da sua soja como commodity. São 43% do grão exportado sem passar por qualquer tipo de processamento industrial. Isso ocorre mesmo com o estado figurando entre os maiores produtores do país.

A análise de dados sugere que uma parte considerável desse volume poderia ser processada dentro do próprio estado. O objetivo é abastecer novas indústrias de esmagamento, agregando valor à produção. Essa verticalização fortaleceria a agroindústria local e diminuiria a dependência da exportação de matéria-prima.

O potencial para expandir a industrialização é significativo. Mesmo considerando as indústrias já instaladas e o volume exportado, estima-se que ainda existam cerca de 1,71 milhão de toneladas de soja potencialmente disponíveis para novas plantas de processamento. Isso indica espaço para avançar na verticalização da cadeia produtiva.

A produção estadual é robusta. Na safra 2024/2025, Mato Grosso do Sul colheu 14,06 milhões de toneladas de soja e 13,9 milhões de toneladas de milho. Enquanto apenas 14,4% do milho foi exportado, a soja teve quase metade de sua produção escoada como grão cru.

O esmagamento transforma a soja em farelo para ração animal e óleo bruto para as indústrias alimentícia, química e de biocombustíveis. Essa industrialização não só agrega valor, mas também diversifica a economia e reduz a exposição às variações do mercado internacional.

Atualmente, seis indústrias de esmagamento operam no estado, e uma sétima está em construção. Localizadas em Dourados, Campo Grande, Três Lagoas, Caarapó e Sidrolândia, essas plantas somam uma capacidade de processamento diário de cerca de 17,5 mil toneladas, o equivalente a 6,3 milhões de toneladas por ano.

A expansão dessas indústrias pode ajudar a mitigar um gargalo logístico: a armazenagem. Mato Grosso do Sul dispõe de 627 unidades armazenadoras com capacidade para 15,59 milhões de toneladas, mas a produção combinada de soja e milho ultrapassa 28 milhões de toneladas. Há um déficit estimado de 12,4 milhões de toneladas.

Esse desequilíbrio força a comercialização durante a colheita ou o deslocamento da produção, aumentando custos. Apenas oito dos 78 municípios possuem capacidade de armazenagem superior à sua produção. Nos demais, a flexibilidade comercial dos produtores é reduzida, e a pressão pelo escoamento da safra aumenta.

Logística e Investimentos:
As regiões sul e sudoeste são apontadas como ideais para novos investimentos em esmagamento. Concentram grande parte da produção, possuem melhor infraestrutura rodoviária e estão perto de polos consumidores, como a cadeia de proteína animal.

O desenvolvimento de novas indústrias depende de fatores como oferta de matéria-prima, margens de processamento, incentivos fiscais e demanda pelos derivados da soja. O aumento da concorrência também pode impactar a rentabilidade.

Mato Grosso do Sul possui condições favoráveis para um novo ciclo de agroindustrialização. A ampliação do processamento fortalece cadeias produtivas, diversifica exportações e aumenta a competitividade do estado, especialmente com a Rota Bioceânica.

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