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Enamed: Faculdades e estudantes de MS aprovam exame para médicos, mas pedem mais infraestrutura

Destaques:

  • Universidades e estudantes de medicina de Mato Grosso do Sul aprovam a exigência de aprovação no Enamed para registro profissional.
  • Apesar do apoio, há cobranças por mais investimentos em infraestrutura universitária, campos de prática e no SUS.
  • A nova regra, válida para novos ingressantes, visa elevar o padrão da formação médica no país.

A exigência de aprovação no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) para obtenção do registro profissional foi recebida de forma positiva por instituições e estudantes de medicina em Mato Grosso do Sul. A medida, que entrou em vigor em 19 de junho, exige que novos alunos de medicina passem no exame ao final do sexto ano para conseguir o registro no CRM (Conselho Regional de Medicina). Uma prova diagnóstica também será aplicada no quarto ano. Contudo, a comunidade acadêmica ressalta que o exame, por si só, não sanará os problemas da formação médica, demandando também maiores investimentos em infraestrutura e no Sistema Único de Saúde (SUS).

Representantes da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) veem a mudança como um avanço para o controle de qualidade. O professor Vivaldo Lopes Oliveira, da UEMS, explica que a exigência vale para novos alunos e que a avaliação é um caminho para induzir as instituições a investirem mais em laboratórios, equipamentos e bibliotecas. “O investimento tem que acontecer juntamente com a avaliação”, pontua.

Augustin Malzac, diretor da Faculdade de Medicina da UFMS, considera o Enamed positivo para elevar o padrão mínimo da formação, especialmente diante da rápida expansão de cursos médicos no país. Ele também reforça a necessidade de investimentos em laboratórios, cenários simulados e hospitais de ensino. A Uniderp, em nota, também avalia o Enamed como “um avanço importante”, mas enfatiza que a qualidade da formação deve ser analisada de forma ampla.

Entre os estudantes, a percepção é majoritariamente favorável, embora com críticas à expansão desordenada de cursos. João Pimenta, aluno do sexto ano, acredita que o exame garante um padrão mínimo de confiança. Ele aponta a falta de estrutura em muitas faculdades como um problema crônico, com alunos sem cenários de prática adequados. Maria Luiza Carvalho, do 4º ano, considera o exame necessário diante da queda na qualidade da formação. Elton Oliveira, também do sexto ano, vê o Enamed como parte da solução, mas defende uma reestruturação mais ampla do ensino médico, com padronização e o fechamento de cursos sem condições adequadas. “Medicina sem prática é quase nada”, sentencia.

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