Destaques:
- Ferrovia Malha Oeste em Mato Grosso do Sul permanece com previsão de leilão em 2026, apesar de atrasos no cronograma nacional de concessões.
- O projeto, considerado estratégico, prevê a recuperação de aproximadamente 1.593 km entre Corumbá (MS) e Mairinque (SP).
- A atualização do Ministério dos Transportes lista a Malha Oeste como uma das três ferrovias com expectativa concreta de licitação este ano, ao lado do Corredor Minas-Rio e Anel Ferroviário Sudeste.
A concessão da Ferrovia Malha Oeste, de relevância estratégica para Mato Grosso do Sul, mantém-se entre os projetos ferroviários federais com previsão de leilão para 2026, mesmo diante de sucessivos adiamentos no cronograma geral de concessões. Uma atualização recente do calendário indica que, das nove ferrovias originalmente planejadas para oferta ao mercado, apenas três possuem expectativa concreta de serem licitadas neste ano: o Corredor Minas-Rio, o Anel Ferroviário Sudeste e a Malha Oeste.
A previsão para a Malha Oeste foi adiada de julho para novembro deste ano. Apesar do atraso, o projeto figura entre os mais avançados na carteira ferroviária federal e é considerado prioritário pela sua importância na retomada da conexão ferroviária de Mato Grosso do Sul com a malha nacional.
O plano inicial previa uma ampla agenda de concessões ferroviárias em 2026, com potencial para atrair R$ 140 bilhões em investimentos em infraestrutura e R$ 516 bilhões em operação. No entanto, nenhum dos projetos cumpriu integralmente as previsões, com adiamentos generalizados e parte significativa transferida para 2027. Os atrasos são atribuídos à necessidade de ajustes em estudos técnicos, elaboração de minutas de edital pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e análises pelo TCU (Tribunal de Contas da União).
Projetos mais afetados incluem três ligados à antiga Malha Sul, que foram remarcados para março de 2027. A extensão norte da Ferrovia Norte-Sul também foi adiada para outubro de 2027. Empreendimentos importantes para o agronegócio, como o corredor Fico-Fiol e a Ferrogrão, foram transferidos para dezembro deste ano, mas ainda dependem de avanços regulatórios para serem efetivados em 2026.
Diante desse cenário, a Malha Oeste, juntamente com o Corredor Minas-Rio (outubro) e o Anel Ferroviário Sudeste (setembro), desponta como um dos projetos com perspectiva mais clara de licitação ainda este ano.
Para Mato Grosso do Sul, a concessão da Malha Oeste representa a recuperação de aproximadamente 1.593 quilômetros de ferrovia entre Corumbá e Mairinque (SP), essencial para o escoamento da produção estadual. Em maio, a ANTT aprovou os estudos técnicos e o Plano de Outorga, permitindo o avanço para o Ministério dos Transportes e o TCU. A modelagem prevê recuperação da infraestrutura com possibilidade de aporte público de até R$ 3,6 bilhões. Autoridades reafirmaram em fevereiro a expectativa de leilão em novembro, destacando a revitalização da malha como iniciativa logística crucial para o estado.
Atualmente sob concessão da Rumo, a ferrovia opera de forma limitada devido à deterioração da infraestrutura. A expectativa governamental é que a nova concessão restaure a capacidade operacional, amplie o transporte de cargas e fortaleça corredores logísticos para mineração, combustíveis e, notadamente, a cadeia da celulose. Caso o cronograma seja mantido, novembro representará um avanço significativo em uma relicitação de longa data, considerada chave para a integração logística de Mato Grosso do Sul.

