A preservação dos rios de águas cristalinas em Mato Grosso do Sul ganhou um reforço histórico através do Projeto Águas de Bonito. A iniciativa, que une o setor público, organizações civis e produtores rurais, celebra resultados expressivos na restauração das matas ciliares do Rio Mimoso, servindo de vitrine para a gestão ambiental sustentável no Brasil.
O sucesso do projeto foi coroado recentemente com o Prêmio CREA de Meio Ambiente (Troféu Siriema), considerado o “Oscar da Sustentabilidade”. A ação venceu na categoria “Elementos Naturais”, destacando-se entre iniciativas de todo o país.
A Força da União Institucional
O projeto nasceu em 2020 para superar a dificuldade de fiscalização em áreas de grande extensão. A solução foi criar uma rede de cooperação que envolve:
Poder Público: Semadesc, Imasul, Ministério Público Estadual e Prefeitura de Bonito.
Sociedade Civil: Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB).
Setor Produtivo: Sindicato Rural e proprietários de terras da bacia do Mimoso.
Para o diretor-presidente do Imasul, André Borges, essa integração é o diferencial: “O projeto mostra que a união entre instituições e produtores é fundamental para ampliar a proteção dos nossos recursos hídricos com critérios técnicos sólidos”.
Diagnóstico e Recuperação na Prática
O trabalho começou com vistorias minuciosas para identificar pontos de degradação. A partir desse diagnóstico, o Imasul e o IASB definiram estratégias personalizadas para cada propriedade:
Regeneração Natural: Em locais menos impactados, apenas o cercamento da Área de Preservação Permanente (APP) foi suficiente.
Intervenção Direta: Em áreas críticas, houve o reposicionamento de cercas para afastar o gado e o plantio de mudas de espécies nativas.
Engajamento: O diálogo direto fez com que os produtores aderissem voluntariamente, abrindo suas porteiras para a recuperação ambiental.
Benefícios para o Ecossistema e o Turismo
A recomposição da vegetação nas margens não é apenas uma questão estética. Segundo a fiscal ambiental Luciana Valle de Loro, as matas ciliares funcionam como um filtro: “Elas evitam a erosão, mantêm a qualidade da água e servem de abrigo para a fauna e flora locais”.
Liliane Lacerda, executiva do IASB, reforça que enquanto o Imasul garante o suporte técnico e a segurança jurídica, a ONG atua na ponta, realizando o plantio e a educação ambiental. “Essa cooperação fortalece a conservação de nascentes e garante a melhoria da água a longo prazo”, resume.
Resultados em Números e Impacto
Início do Projeto: 2020.
Foco: Bacia do Rio Mimoso (Bonito/MS).
Premiação: Vencedor do 22º Prêmio CREA de Meio Ambiente (2024).
Ações: Restauração florestal, conservação do solo e monitoramento técnico contínuo.

