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MS: Diretor do Ministério da Saúde explica filas no SUS e aponta causas multifatoriais

As longas filas para exames, consultas e procedimentos especializados no SUS (Sistema Único de Saúde) representam um desafio contínuo em Mato Grosso do Sul e em todo o país. Um representante do Ministério da Saúde destacou que a solução exige uma reorganização profunda e de longo prazo da rede pública.

Destaques:

  • Diretor do Ministério da Saúde visitou Campo Grande para avaliar programas de expansão do atendimento especializado.
  • Pandemia de Covid-19, envelhecimento da população e mudanças nos hábitos de vida são apontados como causas das filas no SUS.
  • Programa federal Agora Tem Especialistas foca em especialidades prioritárias para reduzir o tempo de espera e ampliar o acesso.

A situação, segundo o diretor do Departamento de Estratégias para a Expansão e a Qualificação da Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Rodrigo Oliveira, é comum em estados e capitais. Ele esteve em Campo Grande para cumprir agenda institucional e conhecer estruturas do programa Agora Tem Especialistas, como uma carreta de exames de imagem e o Instituto da Visão.

A demora para o atendimento especializado não é exclusiva de Campo Grande. O problema é nacional, afetando todos os estados e capitais. A pandemia de Covid-19 é um dos fatores agravantes. Durante cerca de dois anos, a capacidade instalada do sistema foi direcionada ao combate à doença, reduzindo a oferta de procedimentos eletivos e de atenção especializada. Isso gerou uma demanda reprimida que continua a pressionar o sistema.

No entanto, a pandemia não é a única causa. Mudanças demográficas e no perfil de adoecimento da população nas últimas décadas também contribuem. A expectativa de vida no Brasil aumentou significativamente, o que leva a uma maior exposição a doenças crônicas como câncer e problemas cardiovasculares. Mudanças nos hábitos de vida, como o consumo de ultraprocessados e a redução de atividades físicas, também ampliam a procura por atendimento.

Essas transformações, que se tornaram mais expressivas desde o início dos anos 2000, atingiram um ponto crítico após a pandemia, com a demanda reprimida somada às necessidades existentes. O programa Agora Tem Especialistas, do Ministério da Saúde, busca ampliar o acesso a consultas, exames e procedimentos especializados.

O programa prioriza seis especialidades: cardiologia, oncologia, saúde da mulher, ortopedia, otorrinolaringologia e oftalmologia. A estratégia envolve parcerias com estados e municípios para aumentar a oferta e diminuir o tempo de espera. Os resultados variam conforme a realidade de cada região, mas o programa já apresenta redução e, em alguns casos, encerramento de filas, além de ampliação da oferta de cirurgias eletivas.

O número de cirurgias eletivas realizadas no país deve crescer de aproximadamente 10 milhões em 2022 para 15 milhões em 2025. Para o Ministério, isso representa uma expansão significativa da oferta e a retirada de mais pacientes das filas. Contudo, a solução completa é vista como um desafio de longo prazo, exigindo uma reorganização profunda do sistema de saúde.

Em Campo Grande, a carreta de exames de imagem na Esplanada Rodoviária oferece tomografias e ultrassonografias para pacientes do SUS. A unidade móvel atende pacientes encaminhados pelas secretarias de saúde. O Instituto da Visão também oferece consultas, exames e cirurgias gratuitas pelo programa.

O Ministério da Saúde também trabalha na integração de bancos de dados para mapear o tempo de espera em todo o país. Um painel nacional de monitoramento está em construção, a partir da integração de informações de mais de 5 mil bases de dados. O objetivo é qualificar o planejamento de políticas públicas e aumentar a transparência, identificando gargalos e acompanhando o tempo de espera.

Embora o diretor não tenha apresentado números específicos para Mato Grosso do Sul, ele reforçou que os resultados do programa são identificados em diversas ações, variando conforme a estrutura e demanda local. A falta de uma base nacional integrada dificulta comparações precisas entre estados e municípios. Em Campo Grande, a demora no atendimento já motivou ações judiciais contra a prefeitura e o governo estadual.

A visão do Ministério da Saúde é que as filas são um reflexo de questões complexas, incluindo a demanda reprimida pós-pandemia, o envelhecimento populacional, mudanças no perfil das doenças e a crescente necessidade de serviços especializados. A estratégia federal visa ampliar a oferta, reduzir filas e otimizar a gestão de informações para direcionar recursos.

Os resultados do programa já são observáveis, mas a redução estrutural das filas depende de um processo mais amplo de reorganização da atenção especializada no país.

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