Destaques:
- Vereador Landmark Rios (PT) reuniu-se com representantes do Sebrae/MS e da Associação de Criadores de Jogos de Mato Grosso do Sul.
- A pauta principal foi a discussão de políticas públicas para o fortalecimento do setor de games em Campo Grande.
- Foram abordados o potencial econômico, cultural e educacional da indústria, bem como os desafios para desenvolvedores locais.
O vereador Landmark Rios (PT) recebeu em seu gabinete representantes do Sebrae/MS e da Associação de Criadores de Jogos de Mato Grosso do Sul para debater a implementação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor de games na capital sul-mato-grossense.
A reunião contou com a participação de Flávio Domeniche Bastos, gestor da área de jogos do Sebrae/MS, e Maurício de Souza Estevam, presidente da Associação de Criadores de Jogos de Mato Grosso do Sul. O foco do encontro esteve no reconhecimento do potencial da indústria de jogos digitais como motor de desenvolvimento econômico, inovação, cultura, educação e geração de oportunidades, com ênfase especial para a juventude.
Propostas para o fomento de empresas locais, o apoio a novos desenvolvedores e a aproximação entre o poder público e o mercado de jogos, em crescimento acelerado no país e no mundo, também foram discutidas. Landmark Rios destacou a necessidade de Campo Grande enxergar o setor de games como parte integrante da economia criativa, uma fonte de emprego e renda.
“Quando a gente fala de games, não está falando só de entretenimento. Estamos falando de tecnologia, cultura, audiovisual, educação, esporte eletrônico, empreendedorismo e futuro. É um setor que conversa diretamente com a juventude e que pode gerar emprego e renda aqui em Campo Grande. Nosso mandato quer se aproximar desse segmento para ouvir, entender as demandas e ajudar a construir caminhos de apoio”, afirmou o vereador.
Economia Criativa e Marco Legal
Flávio Domeniche Bastos ressaltou a relevância do mercado de jogos digitais, que movimenta bilhões de dólares anualmente e se consolida como uma das principais cadeias da economia criativa global. Ele mencionou o Marco Legal dos Games, sancionado em 2024, como um instrumento fundamental para a visibilidade e o reconhecimento do setor no Brasil, citando também a recente aprovação do CBO e a aguardada regulamentação do CNAE.
Distinção entre Games e Apostas
O debate também abordou a clara distinção entre a indústria de jogos digitais e as plataformas de apostas esportivas. Bastos esclareceu que as chamadas ‘bets’ não integram a cadeia produtiva dos games, apesar de tentativas de classificação indevida. Ele enfatizou que o setor de games abrange desenvolvimento, cultura, audiovisual, tecnologia, arte, música, programação, e-sports e toda uma cadeia produtiva.
Games na Educação e E-sports
A aplicabilidade dos jogos digitais como ferramenta pedagógica foi outro ponto discutido. A gamificação foi apontada como capaz de aumentar o engajamento estudantil e inovar metodologias de ensino, com exemplos de aprendizado de idiomas, história e matemática através de jogos. A possível inclusão dos jogos digitais nas Olimpíadas futuras foi mencionada, levantando questões sobre como o município e as escolas se adaptarão ao reconhecimento dos e-sports como modalidade esportiva.
Landmark Rios defendeu que esta discussão se integre à agenda pública da capital, com o poder público atuando no apoio à educação, eventos, editais, formação e empreendedorismo.
Desafios do Setor em Mato Grosso do Sul
Maurício de Souza Estevam apresentou um panorama do segmento no estado, indicando a existência de empresas formalizadas e uma comunidade organizada de desenvolvedores. Contudo, ele apontou as dificuldades enfrentadas para a sustentabilidade dos projetos, levando muitos profissionais a atuar em outras áreas ou a buscar oportunidades fora do estado pela falta de estrutura e incentivos.
Estevam defendeu a criação de incubadoras, laboratórios, editais, bolsas e programas de incentivo ao empreendedorismo especificamente para desenvolvedores de jogos, citando que outros estados prosperaram com políticas públicas direcionadas e espaços dedicados ao setor.
Cultura Geek e Futuro
O encontro também conectou as discussões com a recente participação de Landmark na ExpoGeek, evento que evidenciou a juventude produtora e empreendedora do segmento geek. O vereador reafirmou o compromisso de manter o diálogo com o setor para formular propostas de apoio a eventos, e-sports, formação profissional e desenvolvimento da indústria de jogos em Campo Grande. O objetivo final, segundo os representantes do setor, é transformar Mato Grosso do Sul de um mero consumidor para um produtor e exportador de tecnologia na área de games, considerando o potencial cultural e econômico do mercado.

