Faleceu na manhã desta terça-feira (23), aos 87 anos, o ex-governador de Mato Grosso do Sul e ex-prefeito de Campo Grande, Marcelo Miranda. As informações sobre o velório e enterro ainda não foram divulgadas. O falecimento ocorreu após um período de internação de aproximadamente 20 dias, com o ex-mandatário enfrentando problemas de pneumonia, insuficiência cardíaca e renal.
Destaques:
- Marcelo Miranda, ex-governador de MS e ex-prefeito de Campo Grande, faleceu aos 87 anos após internação por pneumonia e problemas cardíacos e renais.
- Sua trajetória incluiu obras de infraestrutura significativas, como a Barragem de Jupiá e a construção de 4.500 km de estradas vicinais.
- Como prefeito de Campo Grande, implementou o Projeto Cura, e como governador, enfrentou um período político conturbado.
A Formação e as Bases da Infraestrutura em Mato Grosso do Sul
Nascido e formado como engenheiro em Uberaba (MG), Marcelo Miranda trouxe sua expertise técnica para a região que se tornaria Mato Grosso do Sul. Sua atuação foi decisiva na construção de infraestrutura fundamental para o desenvolvimento. Ele esteve à frente das obras da barragem de Jupiá, um empreendimento estratégico localizado entre Três Lagoas e Castilho (SP), que marcou um ponto de virada na geração de energia e no controle hídrico regional. Posteriormente, sua passagem pelo Departamento de Estradas e Rodagens (DER) foi marcada pela edificação de cerca de 4.500 quilômetros de estradas vicinais. Esse trabalho de base na infraestrutura é um pilar de sua atuação, evidenciando uma visão que buscava conectar e desenvolver as diversas regiões do então Mato Grosso, preparando o terreno para o futuro estado.
A Trajetória Política e os Desafios de Gestão na Capital e no Estado
A entrada de Marcelo Miranda na política se deu na década de 1970, quando aceitou o convite de figuras proeminentes da época para concorrer à Prefeitura de Campo Grande. Sua gestão como prefeito foi notável pela criação do Projeto Cura, um programa multifacetado desenhado para englobar um vasto espectro de investimentos. O Cura ia desde o abastecimento de água potável, um desafio crônico para muitas localidades, até a construção de novas escolas, refletindo uma preocupação com a melhoria da qualidade de vida urbana e a expansão dos serviços básicos. Em 1987, Marcelo Miranda alcançou o cargo máximo do executivo estadual, sendo eleito governador de Mato Grosso do Sul. Contudo, seu período à frente do estado foi caracterizado por um cenário de instabilidade, marcado por um movimento político de oposição às suas ações. As dinâmicas políticas daquele período, ainda hoje, convidam à reflexão sobre os desafios inerentes à governança de um estado em processo de consolidação e as forças que atuam no cenário regional. Sua última função pública foi como Superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Mato Grosso do Sul, cargo que ocupou entre 2003 e 2012, reafirmando seu compromisso com a infraestrutura, área que marcou o início de sua longa carreira pública.
Um Legado para a Reflexão Sul-Mato-Grossense
A morte de Marcelo Miranda não é apenas o fim de uma vida, mas um convite à sociedade sul-mato-grossense para revisitar os capítulos de sua história recente. Que reflexões emergem ao considerar a extensão de sua atuação, desde a engenharia de grandes obras até a complexidade da gestão pública em diferentes esferas? Quais os impactos duradouros do Projeto Cura na infraestrutura social de Campo Grande, e como a sua visão de engenheiro influenciou as políticas de desenvolvimento do estado? O ‘período conturbado’ de sua governadoria, por sua vez, sublinha as tensões e os desafios inerentes à construção da identidade política de Mato Grosso do Sul. Sua trajetória, longe de ser linear, espelha as transformações, os anseios e as dificuldades de uma região em constante evolução, provocando questionamentos sobre a liderança, a governança e o papel dos visionários e dos gestores na construção do destino de um estado.

