Destaques:
- Ex-secretário Rudi Fiorese e mais cinco investigados na ‘Operação Buraco sem Fim’ ganham liberdade.
- Medida judicial determina monitoramento por tornozeleira eletrônica por 180 dias.
- Operação investiga suposta fraude em contratos para serviços de tapa-buracos em Campo Grande, com desvio de verbas públicas.
Revogação de Prisão Preventiva
A Justiça revogou a prisão preventiva de Rudi Fiorese, ex-secretário da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), e de outros cinco detidos na ‘Operação Buraco sem Fim’. A operação apura um esquema de fraude em contratos destinados à manutenção e tapa-buracos de vias públicas em Campo Grande.
A solicitação de revogação, apresentada pela defesa de Erick Valadão e Fernando de Souza, argumentou que a denúncia já havia sido oferecida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e que não havia mais justificativa para a manutenção das prisões. O juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5ª Vara Criminal, atendeu ao pedido e estendeu a decisão a Rudi Fiorese, Mehdi Talayeh e Antônio Bittencourt Teixeira Pedrosa, este último sócio da Rial Construtora. Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa já se encontrava em prisão domiciliar, e Edivaldo Aquino havia obtido a revogação anteriormente via habeas corpus.
Em sua fundamentação, o juiz declarou que a prisão preventiva não deve ser utilizada como resposta simbólica à gravidade de um fato, como antecipação de pena ou como um mecanismo abstrato de contenção da criminalidade. Contudo, determinou que os beneficiados pela decisão cumpram medidas cautelares por um período de 180 dias, incluindo o uso de monitoramento eletrônico, a obrigação de manter o endereço atualizado e o comparecimento a todos os atos processuais.
Detalhes da ‘Operação Buraco sem Fim’
A ‘Operação Buraco sem Fim’ foi deflagrada em 12 de maio de 2026 pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), com o cumprimento de sete mandados de prisão e dez de busca e apreensão na capital sul-mato-grossense. A investigação apontou a existência de uma organização criminosa voltada à fraude sistemática na execução de serviços de manutenção de vias públicas, através da manipulação de medições e pagamentos indevidos.
Os promotores identificaram pagamentos públicos que não condiziam com os serviços efetivamente realizados, visando o desvio de dinheiro público e o enriquecimento ilícito dos investigados, o que resultava na má qualidade das vias municipais. Levantamento aponta que, entre 2018 e 2025, a empresa sob investigação acumulou contratos e aditivos totalizando R$ 113.702.491,02.
Durante as diligências, foram apreendidos valores expressivos em espécie. Um montante de R$ 429 mil foi recolhido, sendo R$ 186 mil encontrados na residência de Rudi Fiorese e R$ 233 mil em outro imóvel relacionado aos alvos da operação. A ação contou com a participação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), além do apoio da Unidade de Apoio à Investigação do CI/MPMS e da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Campo Grande.

