- A reforma da Escola Penitenciária de MS moderniza a infraestrutura para a formação contínua dos policiais penais.
- A participação de internos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira (CPAIG) na obra destaca o papel da ressocialização e do trabalho prisional.
- As melhorias visam elevar a qualidade da segurança pública e a valorização dos profissionais em Mato Grosso do Sul.
A Escola Penitenciária de Mato Grosso do Sul (Espen/MS), localizada em Campo Grande, passou por uma significativa revitalização estrutural, com o objetivo de fortalecer a capacitação e a valorização dos policiais penais. A entrega da reforma representa um investimento direto na infraestrutura de formação continuada, impactando diretamente a qualidade do serviço prestado à sociedade sul-mato-grossense.
A Revitalização e Seus Detalhes Estruturais
A concretização da obra foi viabilizada por recursos oriundos da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, em resposta a uma solicitação da Secretaria Executiva de Justiça da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), contando ainda com a colaboração do Conselho da Comunidade de Campo Grande. Essa convergência de esforços sublinha a importância interinstitucional do projeto.
As melhorias estruturais foram abrangentes, contemplando a reestruturação das salas de aula, a substituição de telhados e a troca de pisos. Houve também a modernização das instalações elétricas e hidráulicas, revitalização de espaços administrativos e a implantação de uma nova fachada. Tais intervenções visam proporcionar um ambiente mais adequado e moderno para as atividades de ensino e aperfeiçoamento.
Além das salas dedicadas às capacitações presenciais, a Espen agora oferece um laboratório de informática, um estúdio para ensino à distância, biblioteca, sala de tatame para treinamentos de defesa pessoal e refeitório, entre outros ambientes projetados para o desenvolvimento profissional dos servidores da Polícia Penal. A expansão da estrutura também incluiu a sala que abriga a extensão do Núcleo de Apoio ao Servidor e o Conselho Penitenciário, ampliando as capacidades de atendimento e suporte institucional.
Impacto na Formação, Ressocialização e o Futuro do Sistema Penitenciário
A diretora da Espen, policial penal Soraya Placência, enfatiza o papel fundamental da Escola na formação técnica, ética e operacional dos profissionais da Polícia Penal, sendo crucial para a qualificação contínua dos servidores do sistema penitenciário estadual. A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) ofertou 177 cursos desde 2023, disponibilizando mais de cinco mil vagas e capacitando aproximadamente 3,2 mil policiais penais. A expectativa é que o espaço revitalizado proporcione condições ainda melhores para o aprendizado e o fortalecimento institucional.
Um aspecto notável da reforma foi a participação de internos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira (CPAIG) na execução dos trabalhos. Dez custodiados atuaram diretamente na obra, sob acompanhamento da direção e de servidores da unidade prisional. Essa iniciativa reforça a importância do trabalho prisional como ferramenta de ressocialização e aprendizado profissional, além de gerar remição de pena e economia para os cofres públicos.
O juiz titular da 2ª VEP, Albino Coimbra Neto, destacou a relevância da obra para a valorização dos policiais penais, afirmando que Mato Grosso do Sul possui profissionais entre os mais qualificados do país. Ele também pontuou o trabalho desenvolvido no CPAIG, especialmente nas ações de ressocialização e incentivo ao trabalho prisional, sublinhando seus impactos positivos.
O diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, ao relembrar as limitações físicas do início das atividades da escola, comparou-as com a nova realidade, onde o espaço oferece mais dignidade, conforto e melhores condições de capacitação. Maiorchini também mencionou o projeto de implantação da futura Academia da Polícia Penal no Complexo da Gameleira, indicando que a estrutura revitalizada da Espen terá um papel central nesse avanço.
O secretário-executivo de Justiça da Sejusp, Rafael Garcia Ribeiro, frisou a união de esforços institucionais para viabilizar a reforma. Ele relembrou sua participação na formação da primeira turma de nível superior do sistema penitenciário estadual, em 2004, e ressaltou o comprometimento institucional com a qualificação contínua, uma vez que a Escola Penitenciária manteve suas atividades de capacitação mesmo durante as obras.
A entrega da nova estrutura sinaliza um avanço na modernização do sistema penitenciário de Mato Grosso do Sul, proporcionando um ambiente mais adequado, funcional e preparado para a formação permanente dos servidores da Polícia Penal. Para a sociedade sul-mato-grossense, essa revitalização levanta questionamentos sobre a contínua evolução da segurança pública no estado: como aprimorar a formação dos policiais penais se traduzirá em maior segurança para a população? E de que forma a estratégia de ressocialização, evidenciada pela participação dos internos na obra, pode ser expandida e aperfeiçoada para gerar resultados ainda mais significativos a longo prazo? São indagações que permanecem no horizonte do desenvolvimento de um sistema penitenciário mais eficaz e justo.

