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Mato Grosso do Sul: Corredor Estratégico para o Gás Argentino de Vaca Muerta

Mato Grosso do Sul assume um papel estratégico. O estado é o principal corredor para o gás natural produzido em Vaca Muerta, na Patagônia argentina, rumo ao Brasil. Duas das quatro rotas analisadas para escoar este combustível passam por território sul-mato-grossense.

Destaques:

  • Mato Grosso do Sul é peça-chave em duas rotas para importação de gás argentino.
  • As opções envolvem Corumbá (via Bolívia) e Porto Murtinho (via Paraguai).
  • Grandes investimentos em infraestrutura e contratos de longo prazo são cruciais para viabilizar o projeto.

As reservas de Vaca Muerta são impressionantes. Técnicos indicam até 11,1 trilhões de metros cúbicos recuperáveis. Este volume poderia abastecer Argentina, Brasil, Bolívia, Uruguai e Chile por mais de um século, considerando o consumo atual de 90 bilhões de metros cúbicos anuais.

Rota 1: Via Bolívia e Corumbá

A primeira alternativa aproveita a infraestrutura já existente. O gás sairia de Vaca Muerta, cruzaria a malha argentina até o norte, chegando à região de Campo Durán, perto da fronteira boliviana. Dali, ele entraria no sistema boliviano e usaria a conexão do Gasbol (Gasoduto Bolívia-Brasil), ingressando no território nacional por Corumbá.

Em 2025, uma operação experimental já foi realizada para testar a viabilidade comercial e operacional desta rota. Uma subsidiária brasileira com participação em um campo em Neuquén e uma multinacional argentina viabilizaram a ação. A rota é vista como uma oportunidade estratégica: o Gasbol está subutilizado pela queda na produção boliviana, enquanto a Argentina busca novos mercados para o gás de Vaca Muerta.

Contudo, há desafios. O custo das tarifas de trânsito bolivianas, a necessidade de investimentos na malha argentina até a fronteira, contratos de longo prazo, segurança regulatória e a competitividade do preço final do gás no mercado brasileiro são pontos críticos.

Rota 2: Via Paraguai e Porto Murtinho

A segunda rota que corta Mato Grosso do Sul passa pelo Paraguai. O gás sairia de Neuquén, seguiria por gasodutos no oeste argentino até Cornejo e entraria no Paraguai. Acompanharia parte do traçado do Corredor Bioceânico pelo Chaco paraguaio. No Brasil, o sistema chegaria por Porto Murtinho e seguiria até Campo Grande, onde se conectaria ao Gasbol.

Um grupo de estudos binacional entre Argentina e Paraguai avalia a viabilidade do Gasoduto Bioceânico. O projeto prevê cerca de 1.050 quilômetros de extensão, com investimentos estimados em US$ 2 bilhões pelo governo paraguaio.

Outras Rotas e Desafios de Infraestrutura

Existem outras duas rotas, não passando por Mato Grosso do Sul. Uma delas é via Uruguaiana (RS), com a construção de um novo trecho de gasoduto até Porto Alegre. A outra usa a infraestrutura entre Argentina e Uruguai, podendo se integrar a futuros terminais de GNL no Sul do Brasil.

A importação de gás argentino pode diversificar o abastecimento energético brasileiro, ampliar a oferta industrial e apoiar a reindustrialização. Mas a condição é clara: o combustível precisa chegar ao mercado nacional em condições competitivas.

O maior desafio para transformar Vaca Muerta em um grande fornecedor regional não é a disponibilidade de reservas. É a infraestrutura para levar o gás aos mercados. Será preciso ampliar a produção, construir novos gasodutos na Argentina, expandir a rede de transporte e investir em unidades de processamento de gás natural.

Uma obra essencial é um novo corredor de transporte entre Neuquén e La Carlota, independente da rota de exportação para o Brasil. Os investimentos necessários para a expansão e construção de gasodutos na integração energética regional deverão superar US$ 10 bilhões. Projetos dessa magnitude exigem contratos firmes e de longo prazo entre produtores e consumidores, condição fundamental para viabilizar os investimentos e garantir a segurança do suprimento.

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